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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
A minha situação atual de vida tem uma história. No ano 2000, último ano de faculdade, tive certeza de iria para o Seminário. A vocação de Deus era clara em minha mente e em meu coração.

Fui para Fortaleza no ano seguinte, onde passei dois anos me sentindo, quase sempre, no centro da vontade de Deus para a minha vida. Ali, minha reflexão teológica dirigiu-se a espaços os quais nunca imaginei chegar. Novos traços de relacionamento com Deus estavam se estabelecendo no meu ser.

Aí, no ano passado, problemas diversos me lançaram em um doloroso e sofrido exílio em minha própria terra. Sem espaço para refletir, pregar, sentir, viver.

No fim do ano passado, a dor e a solidão desse ostracismo eram tremendas. Inúmeras feridas na minha alma careciam de serem tocadas pelo Senhor. Foi assim que ela voltou para a minha vida.

Foi nessa vida dolorosa de exilado que minha teologia e minhas idéias evoluíram, auxiliadas pela presença dela, de seu companheirismo, suas próprias idéias, seu amor. Foi através desse blog, onde fui inserido por ela também, que recuperei um espaço para repensar e refletir. Um espaço para as minhas loucuras, como digo acima.

É bom ter a companhia dela nessa luta. No entanto, não me é confortável saber que a minha dor e meus novos ostracismos são reservados a ela também. Sua companhia me tem sido imprescindível. E não posso evitar que essa companhia seja levada por mim para um novo lugar de sentido, afastado do centro a visão de mundo que nossas igrejas costumam ter. Lugar perigoso e doloroso.

Obrigado por tudo, Pri.

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