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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
Foucault tem um texto no livro que estou lendo em que afirma que todo o movimento revolucionario europeu dos ultimos seculos tem origem na descoberta da historiografia, da profecia e das promessas biblicas.

Quando os homens descobriram a Biblia se levantando contra toda a tirania e a injustica se motivaram a Revolucao em nome de Deus. Foi assim quando a Reforma se revoltou contra a dominacao teologica da Igreja medieval. Foi assim na Revolucao Inglesa do seculo XVII.

Enfim, a descoberta do Deus da Revolucao e da Justica motivou a luta do povo contra a opressao e a tirania, em prol da liberdade e da justica.

Algo semelhante aconteceu no tempo em que foi escrito o livro de Daniel, que eu reli hoje. No meio da revolta macabeia contra a opressao helenizante de Antioco IV Epifanes, os judeus redescobriram o Deus que liberta e luta ao lado do Seu povo. Ele apenas exige fidelidade e promete libertacao. E ainda que Ele nao livre da fornalha, os judeus dizem que nao se dobraram ao Zeus Olimpico que Antioco colocou no templo de Jerusalem. Porque ainda que eles morram, sabem que nao serao derrotados. Pois Deus descera, pora fim ao abominavel da desolacao e ressuscitara o povo dele para um Reino sem fim.

A descoberta da Ressurreicao, ja disse antes, eh a descoberta da Revolucao. Significa: eu luto e ate posso morrer. Porque se eu morrer, voce ainda nao me derrotou, porque vou ressuscitar no Dia do Senhor. Enfim, a vida pode ser inteiramente entregue para a luta do Reino de Deus, porque esse Reino é muito mais importante.

Depois eu posto o texto de Foucault.

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