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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
Foucault tem um texto no livro que estou lendo em que afirma que todo o movimento revolucionario europeu dos ultimos seculos tem origem na descoberta da historiografia, da profecia e das promessas biblicas.

Quando os homens descobriram a Biblia se levantando contra toda a tirania e a injustica se motivaram a Revolucao em nome de Deus. Foi assim quando a Reforma se revoltou contra a dominacao teologica da Igreja medieval. Foi assim na Revolucao Inglesa do seculo XVII.

Enfim, a descoberta do Deus da Revolucao e da Justica motivou a luta do povo contra a opressao e a tirania, em prol da liberdade e da justica.

Algo semelhante aconteceu no tempo em que foi escrito o livro de Daniel, que eu reli hoje. No meio da revolta macabeia contra a opressao helenizante de Antioco IV Epifanes, os judeus redescobriram o Deus que liberta e luta ao lado do Seu povo. Ele apenas exige fidelidade e promete libertacao. E ainda que Ele nao livre da fornalha, os judeus dizem que nao se dobraram ao Zeus Olimpico que Antioco colocou no templo de Jerusalem. Porque ainda que eles morram, sabem que nao serao derrotados. Pois Deus descera, pora fim ao abominavel da desolacao e ressuscitara o povo dele para um Reino sem fim.

A descoberta da Ressurreicao, ja disse antes, eh a descoberta da Revolucao. Significa: eu luto e ate posso morrer. Porque se eu morrer, voce ainda nao me derrotou, porque vou ressuscitar no Dia do Senhor. Enfim, a vida pode ser inteiramente entregue para a luta do Reino de Deus, porque esse Reino é muito mais importante.

Depois eu posto o texto de Foucault.

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