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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
Um garoto, com 12 anos no máximo, se aproximou de mim na UFRN pedindo-me uma ajudar para "inteirar" a prestação de contas dos sorvetes que ele vendeu. Ele usou dois reais do caixa de sua caixinha para comprar seu almoço. Profundamente educado, o garoto me fez refletir com sua petição (à qual não pude atender).
Em qualquer nível de reflexão, o fato me provoca, digamos, irritação. No mais superficial: como alguém põe um garoto tão novo em um trabalho tão cansativo? Como alguém o rouba o direito à educação? E nesse caso o "alguém" é ninguém menos que o seu explorador direto. Como esse explorador é capaz de colocar uma criança para trabalhar sem lhe dar o direito de, pelo menos, almoçar?
Mas a resposta às primeiras perguntas pode se focar em outro âmbito mais profundo. Ou seja, em última e principal instância é nosso modelo de vivência sócio-econômica que é o responsável por tudo. Atores nesse quadro, cada um de nós é, digamos, um efeito-sujeito desse modelo, dessa Ideologia, desse discurso.
Os que pensam precisamos viabilizar novas formas de impedir fatos como o que me ocorreu antes. Os que pensam não podemos perder a capacidade de indignação, em busca de saídas para esse quadro, quaisquer que sejam, mesmo revolucionárias.

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