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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
Para marcar meu retorno, ainda que ins?pido, um texto dela:

Hoje passou o show de Truman na Globo. Esses caras parecem malucos: naum sabem o perigo que correm exibindo esse tipo de filme. Mas, pensando bem... desde que, logo em seguida, exibam aquela merda de Agora é que saum elas... é, risco nenhum.

Mas teve umas coisinhas do filme que me lebraram muito Moriyon e Paulo Freire. O Cristof (Ed Harris é muito feioso, velho...), quando discute pelo telefone com a Silvya, diz a ela que Truman naum se liberta porque n?o quer. Que se ele naum havia saido até entao era porque ele "prefere a cela". Truman, segunda a vis?o de Cristof, tem medo da liberdade.

N?s também temos medo da liberdade. N?s também somos reféns de uma corporaç?o, presos a ela, t?o absorvidos que n?o conseguimos suportar a mais leve possibilidade de elimin?-la. Isso porque, povo, liberdade n?o é presente: é conquista. Liberdade custa caro. Liberdade custa vidas, custa bem-estar, custa familia, custa "amigos", custa emprego, estabilidade... E eu falo aqui de muitas prisoes. Mas o velho PF especifica uma:

O "medo da liberdade", de que se fazem objeto os oprimidos, medo da liberdade que tanto pode conduzi-los a pretender ser opressores também, quanto pode mante-los atados ao status de oprimidos, é outro aspecto que merece igualmente nossa reflexao.
(...)
Este medo da liberdade também se instala nos opressores, mas, obviamente, de maneira diferente. Nos oprimidos, o medo da liberdade é o medo de assumi-la. Nos opressores é o medo de perder a "liberdade" de oprimir.


Ser prisioneiro naum eh boa coisa. Mas ser livre também pode naum ser. Lembram de Cypher, de Matrix 1? Ele experimentou a liberdade e naum curtiu. Pra ele, era melhor estar confortavel numa prisao do que estar fora dela comendo mingau e desejando uma mulher que n?o o desejava. Opç?o dele. Mas ele esteve dos dois lados antes de decidir. N?o posso me acomodar antes de saber como eh o outro lado.

"Tudo eh uma questao de escolha", citando Reloaded. Enquanto for mesmo, tudo otimo. Particularmente, a natureza mostruosa do que fizeram a Truman naum estava no mundo de fantasia em si, mas no fato de que ele naum teve escolha. Ele foi o bonequinho preferido do mundo por toda a sua vida e naum sabia. E o discurso de Cristof no final? Comovente, naum? E se o mundo além das fronteiras de Seaheaven fosse como o mundo destru?do de Matrix ou Waterworld? Naum seria melhor permanecer na redoma?

Naum sei.

Mas como eh que Truman saberia se continuasse a temer a pr?pria libertacao?

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