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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
Uma parte de meu futuro teológico há de ser resolvida (ao menos em parte) amanhã. Futuro ministerial também.

Preciso voltar a pensar teologias e ministérios. Esses dias discuti a minha ida ao show dos Paralamas com uma irmã querida. Fui porque hoje estou convicto de que não há pecado nisso, e que posso reconhecer a voz de Deus na boca de profetas como Herbert ou Gabriel, por exemplo. Fui pela convicção de que adoro os Paralamas desde 1986 e descobri minha perda de tempo ao abrir mão deles e dos Titãs ao me converter. Descoberta que me veio nos dois anos de seminário.
Mas isso fere tanto o senso comum de nossas comunidades evangélicas, que costumam demonizar toda a produção cultural extra-eclesiástica, que eu escondi e esconderei de qualquer outro irmão da minha igreja minha presença naquele show. Correria o risco de sofrer novo processo disciplinar.
Mas por quê? Por que a igreja tomaria uma atitude assim? Seu costume e sua cultura não parecem ter explicação para isso. Somente porque as igrejas são assim. Não há fundamento bíblico, teológico ou histórico para tanto.
Isso me faz lembrar um grande filme, O violista no telhado. As tradições são dissecadas naquele filme, que retrata uma comunidade judaica muito tradicional. E por que os homens precisam usar barba? Por causa da tradição. E qual a explicação da tradição? Não há explicação.
Valorizamos tantas vezes tradições como verdades absolutas da Bíblia. Tradições que, postas sob crítica (especialmente bíblica), são insustentáveis.

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