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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
Uma parte de meu futuro teológico há de ser resolvida (ao menos em parte) amanhã. Futuro ministerial também.

Preciso voltar a pensar teologias e ministérios. Esses dias discuti a minha ida ao show dos Paralamas com uma irmã querida. Fui porque hoje estou convicto de que não há pecado nisso, e que posso reconhecer a voz de Deus na boca de profetas como Herbert ou Gabriel, por exemplo. Fui pela convicção de que adoro os Paralamas desde 1986 e descobri minha perda de tempo ao abrir mão deles e dos Titãs ao me converter. Descoberta que me veio nos dois anos de seminário.
Mas isso fere tanto o senso comum de nossas comunidades evangélicas, que costumam demonizar toda a produção cultural extra-eclesiástica, que eu escondi e esconderei de qualquer outro irmão da minha igreja minha presença naquele show. Correria o risco de sofrer novo processo disciplinar.
Mas por quê? Por que a igreja tomaria uma atitude assim? Seu costume e sua cultura não parecem ter explicação para isso. Somente porque as igrejas são assim. Não há fundamento bíblico, teológico ou histórico para tanto.
Isso me faz lembrar um grande filme, O violista no telhado. As tradições são dissecadas naquele filme, que retrata uma comunidade judaica muito tradicional. E por que os homens precisam usar barba? Por causa da tradição. E qual a explicação da tradição? Não há explicação.
Valorizamos tantas vezes tradições como verdades absolutas da Bíblia. Tradições que, postas sob crítica (especialmente bíblica), são insustentáveis.

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