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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
Minha conversa com o pastor hoje correu muito bem. Fui muito franco e claro com ele a respeito de tudo o que ocorreu na minha relação com a igreja nos últimos meses. Falou-me que tudo poderia ser encarado por mim como um momento para reflexão.

Minha reflexão em cima dos fatos ocorridos em minha vida, em cima da teologia pensada e buscada por mim, em cima de uma nova forma de conhecer e experimentar Deus, seriam, certamente, considerada perniciosa pelo Sistema da minha igreja. Disse isso a ele.

Creio nas pessoas, na comunhão, na comunidade. Acho que a instituição é necessário mas secundária. Se for posta em primeiro plano, será assassina.

Muitos caminhos se delinearam à minha frente nos últimos meses. Muitas certezas se concretizaram. Refletir uma teologia a partir de uma nova prática ministerial, a partir de uma nova (nem tão nova) leitura da Bíblia. A admiração por gente como Shaull, ou Comblin, cresceu demais.

Hoje eu sou diferente. Sem juízo de valor sobre minhas mudanças, simplesmente sou diferente.

Disseram-me mais maduro. Devo estar. Ainda há muita coisa a ser restaurada, mas algo de maturidade, de rebeldia, de espírito livre e crítico, foi cristalizado em mim. Espero nunca perder tal liberdade.

O pastor acredita que o caminho da pós-graduação possa ampliar mais meus horizontes do que o seminário. Vou voltar ao Seminário. Não sei quando, mas vou, porque meu chamado é uma das certezas que tenho.

É por isso que fiquei feliz quando me ocorreu um esboço de projeto para o mestrado, relacionando teorias da leitura, análise do discurso, ideologia, semiótica e, claro, a Bíblia, o Magnificat, que tanto prezo.

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