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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
Minha conversa com o pastor hoje correu muito bem. Fui muito franco e claro com ele a respeito de tudo o que ocorreu na minha relação com a igreja nos últimos meses. Falou-me que tudo poderia ser encarado por mim como um momento para reflexão.

Minha reflexão em cima dos fatos ocorridos em minha vida, em cima da teologia pensada e buscada por mim, em cima de uma nova forma de conhecer e experimentar Deus, seriam, certamente, considerada perniciosa pelo Sistema da minha igreja. Disse isso a ele.

Creio nas pessoas, na comunhão, na comunidade. Acho que a instituição é necessário mas secundária. Se for posta em primeiro plano, será assassina.

Muitos caminhos se delinearam à minha frente nos últimos meses. Muitas certezas se concretizaram. Refletir uma teologia a partir de uma nova prática ministerial, a partir de uma nova (nem tão nova) leitura da Bíblia. A admiração por gente como Shaull, ou Comblin, cresceu demais.

Hoje eu sou diferente. Sem juízo de valor sobre minhas mudanças, simplesmente sou diferente.

Disseram-me mais maduro. Devo estar. Ainda há muita coisa a ser restaurada, mas algo de maturidade, de rebeldia, de espírito livre e crítico, foi cristalizado em mim. Espero nunca perder tal liberdade.

O pastor acredita que o caminho da pós-graduação possa ampliar mais meus horizontes do que o seminário. Vou voltar ao Seminário. Não sei quando, mas vou, porque meu chamado é uma das certezas que tenho.

É por isso que fiquei feliz quando me ocorreu um esboço de projeto para o mestrado, relacionando teorias da leitura, análise do discurso, ideologia, semiótica e, claro, a Bíblia, o Magnificat, que tanto prezo.

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