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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
Durante todo o fim de semana ouvi, quase ininterruptamente, Chico Buarque. E foi inevitável para mim criar as relações entre ele e O Rappa, cada um profetizando à sociedade brasileira em épocas tumultuadas. Profetizando. Porque a Igreja tantas vezes se cala, os p(r)o(f)etas do mundo falam.
Isso porque o máximo de profecia que a Igreja contemporânea no Brasil produz é Silas Malafaia falando besteiras em defesa de Garotinho nos sábados pela manhã. Argumentos furados em defesa do indefensável. E os crentes o considerando o Profeta de Deus.
Profetas são o Rappa ou Chico Buarque. Porque também morre quem atira e porque com a bênção de nosso Senhor, o sol nunca mais vai se pôr.
E se o Rio não é tão violento, Marcelo Yuka, paraplégico por uma bala perdida, é maluco: Vocês têm medo de garotinhos nos sinais? Eu tenho medo é de Garotinho na Segurança Pública.

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