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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
Como reagir diante do que vemos, se o que vemos é pavorosamente feio: essa foi minha angústia hoje... Talvez soframos a mesma coisa diante do belo, infinitamente belo. Bem platonicamente, confrontar-se com o Belo é confrontar-se com a Verdade, o próprio. Aqui, lugar para Santo Agotinho. Para ele, nós somos os pavorosamente feios. Deus, o esplendidamente Belo. Nossa feiúra se transformar ao confrontar-se com a beleza de Deus.
Significa, para mim, que quando nos chocamos com a fealdade da vida e do ser humano, nos chocamos porque vemos a nossa própria essência ali. O mundo é o nosso espelho porque dentro de nós o mundo está vivo, talvez mais do que lá fora. A realidade acontece dentro de nós. O mundo é nosso espelho porque nós nos projetamos nos outros. A nossa fealdade.
A beleza no mundo é a manifestação do Deus Belo e Revolucionário que tudo fez. Que me fez e tudo que pode ser belo em mim. Cada vez mais perto do Deus revolucionário, cada vez mais em contato com o Belo, cada vez mais belo.
E assim capaz de me impressionar e perceber mais beleza no mundo, vendo mais Deus no mundo e menos de minhas própria sujidades...

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