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Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
Como reagir diante do que vemos, se o que vemos é pavorosamente feio: essa foi minha angústia hoje... Talvez soframos a mesma coisa diante do belo, infinitamente belo. Bem platonicamente, confrontar-se com o Belo é confrontar-se com a Verdade, o próprio. Aqui, lugar para Santo Agotinho. Para ele, nós somos os pavorosamente feios. Deus, o esplendidamente Belo. Nossa feiúra se transformar ao confrontar-se com a beleza de Deus.
Significa, para mim, que quando nos chocamos com a fealdade da vida e do ser humano, nos chocamos porque vemos a nossa própria essência ali. O mundo é o nosso espelho porque dentro de nós o mundo está vivo, talvez mais do que lá fora. A realidade acontece dentro de nós. O mundo é nosso espelho porque nós nos projetamos nos outros. A nossa fealdade.
A beleza no mundo é a manifestação do Deus Belo e Revolucionário que tudo fez. Que me fez e tudo que pode ser belo em mim. Cada vez mais perto do Deus revolucionário, cada vez mais em contato com o Belo, cada vez mais belo.
E assim capaz de me impressionar e perceber mais beleza no mundo, vendo mais Deus no mundo e menos de minhas própria sujidades...

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