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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
Brejo da Cruz
Chico Buarque


A novidade
Que tem no Brejo da Cruz
É a criançada
Se alimentar de luz

Alucinados
Meninos ficando azuis
E desencarnando
Lá no Brejo da Cruz


Eletrizados
Cruzam os céus do Brasil
Na rodoviária
Assumem formas mil


Uns vendem fumo
Tem uns que viram Jesus
Muito sanfoneiro
Cego tocando blues


Uns têm saudade
E dançam maracatus
Uns atiram pedra
Outros passeiam nus


Mas há milhões desses seres
Que se disfarçam tão bem
Que ninguém pergunta
De onde essa gente vem


São jardineiros
Guardas noturnos, casais
São passageiros
Bombeiros e babás


Já nem se lembram
Que existe um Brejo da Cruz
Que eram crianças
E que comiam luz


São faxineiros
Balançam nas construções
São bilheteiras
Baleiros e garçons


Já nem se lembram
Que existe um Brejo da Cruz
Que eram crianças
E que comiam luz





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