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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
Resgatando MC Serginho e Lacraia

Divagando na leitura de Darcy Ribeiro, comecei a refletir sobre o fenômeno popular de MC Serginho e o escatológico Lacraia. E percebi que, no fim de tudo, eles devem ser as vítimas.

São vítimas de um sistema social, repleto de uma ideologia assimilacionista, que impede a progressão e crescimento no enorme contingente de negros, pobres e marginalizados do nosso país. Os ex-escravos, condenados a uma situação subalterna, têm poucas opções na vida.

Darcy Ribeiro relata que aos negros a sociedade só concede espaço em atividades que exijam pouca ou nenhuma instrução letrada. Por isso, as celebridades de cor são raras e estão sozinhas: Pelé, Grande Otelo, etc.. Alguns poucos intelectuais, que chamam mais atenção por serem exceções grandiosas do que porque se considere que tenham algo a acrescentar. Os políticos negros estão na mesma situação, especialmente se, além de negros, são mulheres, como Benedita.

Em um mundo assim construído o negro só pode se destacar e crescer quando for o inusitado. MC Serginho e Lacraia tinham duas opções diante do que o Brasil lhes ofereceu: a marginalidade ou o escatológico. Optaram pelo escatológico, que horroriza a classe dominante e apaixona a massa identificada.

O surgimento de um ser escatológico como Lacraia representa uma das poucas alternativas de triunfo cultural e social de uma classe, que vive humilhada a séculos. Que se confunde com a pobreza, opressão, falta de instrução e negritude. Ou seja, o próprio brasileiro.

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