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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
O Cannibal Café traz algumas reflexões muito interessantes para analisarmos. Não pretendo aqui repetir aquilo que a Sacerdotisa disse ali, analisando Maya, de Gaarder. Mas ali ela desenvolve idéias relacionadas ao Espírito Universal, o que me fez lembrar de minhas aulas de hermenêutica e também da teologia dialética.

A princípio, à idéia de Espírito Universal podemos contrapor a noção de sujeito como um universal. Não um sujeito, mas a certeza de que os entes racionais dessa existência são sujeitos que depreendem sua existência do Ser. Descartes, que é citado na epígrafe de 13º Andar, definiu a existência pelo raciocínio. Tendo se deparado com os questionamentos que também foram desenvolvidos pelo hinduísmo, entrou em desespero pela sua incapacidade de perceber-se como ser real.
Assim ele acaba por concluir que não há nada que seja real no universo, a não ser a própria capacidade de duvidar de tudo. A dúvida metódica. Daí ele conclui que se pensa, ele existe. Cogito, ergo sum.

A hermenêutica contemporânea, como uma postura que é acima de técnica ou ciência, afirma que não existe conhecimento objetivo. Apenas conhecimento intersubjetivo.

Isso ficaria mais claro sendo exemplificado na interpretação de um livro. Simplificando, ao lê-lo, você não pode depender de uma objetividade. Você dialoga com diversos atores nesse processo: o autor (o que se complica quando o texto está distante temporal e culturalmente de você), suas pré-noções e pré-juízos, a tradição cultural em que você se insere, você mesmo e seu conhecimento de mundo. A leitura é uma ação intersubjetiva, que não depende somente de você. É um diálogo, no entanto, em que o leitor participa ativamente, trazendo muito de si ao texto, à sua compreensão dele.

E isso, em maior ou menor grau, acontece com quaisquer outros conhecimentos científicos. E mesmo nas ciências exatas, em que as provas não podem ser subjetivadas, as perguntas e interesses que iniciam a pesquisa dependem diretamente do sujeito e de seus interesses. Mesmo aí, ainda que em menor grau, há uma dependência da subjetividade.

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