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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
Falemos sobre outro primo. Marcos Monteiro, pastor batista. Meu primo. Não sei se ele me autorizaria a relaciona-lo à Revolução. Mas acabo de ler sua palestra De Profetas e de Cantadores, publicada no livro Pastoral urbana – A co-responsabilidade das igrejas no Nordeste, da editora Ultimato. A pertinência do que ele escreve é impressionante. E a ponte que constrói entre a cultura popular e a Bíblia/teologia é imprescindível para nós, cristãos evangélicos nordestinos. A relação entre Amós e o cantador quase-profeta Petrúcio Amorim é quase óbvia, diante do texto de Marcos. O mundo de ambos, a despeito da distância geográfica e sócio-temporal, se assemelha tanto quanto suas p /r\ o /f\ e /c\ s i a s.
Já no fim, Marcos diz:
Nem deuses, nem brutos, nem animais; como seres humanos e como cristãos, precisamos ser políticos. E isso só o fazemos como parte de um todo e nos organizando para agir com outras partes. Somos, como Igreja no Nordeste e vivendo basicamente uma realidade urbana, membros da sociedade civil e, por conseguinte, participantes políticos da cidade. Isso significa que, queiramos ou não, fazemos política – ou conformista e alienada ou transformadora. Precisamos assumir consciente e evangelicamente o nosso papel na cidade e, como servos, não podemos faze-lo sozinhos. Participar de manifestações organizadas, assumir posições públicas claras, entre outras atividades visivelmente políticas, é um direito e um dever de quem pretende agir consciente e evangelicamente. Opressão, exploração, discriminação, atingem prioritariamente o pobre e desagrada profundamente a Deus. Encontrar-se com Deus na cidade, histórica e politicamente, é agir de modo legítimo contra toda forma de ilegítimas opressão, exploração e discriminação.

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