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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
Falemos sobre outro primo. Marcos Monteiro, pastor batista. Meu primo. Não sei se ele me autorizaria a relaciona-lo à Revolução. Mas acabo de ler sua palestra De Profetas e de Cantadores, publicada no livro Pastoral urbana – A co-responsabilidade das igrejas no Nordeste, da editora Ultimato. A pertinência do que ele escreve é impressionante. E a ponte que constrói entre a cultura popular e a Bíblia/teologia é imprescindível para nós, cristãos evangélicos nordestinos. A relação entre Amós e o cantador quase-profeta Petrúcio Amorim é quase óbvia, diante do texto de Marcos. O mundo de ambos, a despeito da distância geográfica e sócio-temporal, se assemelha tanto quanto suas p /r\ o /f\ e /c\ s i a s.
Já no fim, Marcos diz:
Nem deuses, nem brutos, nem animais; como seres humanos e como cristãos, precisamos ser políticos. E isso só o fazemos como parte de um todo e nos organizando para agir com outras partes. Somos, como Igreja no Nordeste e vivendo basicamente uma realidade urbana, membros da sociedade civil e, por conseguinte, participantes políticos da cidade. Isso significa que, queiramos ou não, fazemos política – ou conformista e alienada ou transformadora. Precisamos assumir consciente e evangelicamente o nosso papel na cidade e, como servos, não podemos faze-lo sozinhos. Participar de manifestações organizadas, assumir posições públicas claras, entre outras atividades visivelmente políticas, é um direito e um dever de quem pretende agir consciente e evangelicamente. Opressão, exploração, discriminação, atingem prioritariamente o pobre e desagrada profundamente a Deus. Encontrar-se com Deus na cidade, histórica e politicamente, é agir de modo legítimo contra toda forma de ilegítimas opressão, exploração e discriminação.

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