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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
Daqui a um mês vou estar completando 24 anos. E voltei a pensar se serei sempre assim, incendiário e revolucionário, ou se algum dia me adequarei ao sistema. Eu espero nunca perder minha indignação, minha capacidade de revolta, minha inadequabilidade. Espero que a vida não me mostre que precisarei mudar as premissas de minha vida e eu me torne alguém que venha a dizer: Esqueçam o que pensei e escrevi.

Disse a alguém ontem que, mesmo engatinhando, já sei o caminho que vou trilhar, tanto teológica quanto intelectualmente. E esse blog é um grande responsável nessas tomadas de posturas.
Aliás é de postura que eu estou falando. Preciso adotar uma postura que diga algo da coerência com as coisas que penso e creio. Preciso agir assim, ainda que choque as pessoas.

Não me vejo com um rebelde sem causa. Quem já me lê há algum tempo, sabe que aqui eu defendi que o meu Deus, aquele que revoluciona tudo, não é de Ordem, mas da mais pura Desordem. Ele destrói tudo para refazer tudo. Ele transforma tudo. Ele exalta o humilde e abate o soberbo.

Minhas idéias estão translúcidas aqui. Nos últimos dois meses, esse blog tem sido o meu laboratório. As bases do que creio, penso e defendo estão aqui. Muitos concordam comigo e reconhecem algo de bíblico no que falo. Outros já me mandaram cair fora. Conheço uma meia dúzia de três ou quatro que me excomungaria se lesse o que escrevo. Mas quer saber? Eu não estou nem aí.

Sou radical. Posso, inclusive, no futuro, mudar muitas das minhas idéias. Mas serei radical nisso também. E, certamente, creio que o que penso é bíblico, mesmo que às vezes eu me veja pouco bíblico.

O curioso, para mim, das minhas idéias, é que elas não nasceram de outras leituras que não a Bíblia e teologia. É certo que elas catalisaram aquela angústia de revolta e indignação que sempre houve em mim. Elas deram base a essa vagas impressões e me levaram a uma descoberta de fundamentação bastante importante.

Não pretendo ser nenhum messias ou dono da verdade. Sou um miserável pecador, que às vezes se sente tão afastado de Deus que se pergunta se ainda há jeito. Mas não sou diferente de nenhum homem ou mulher que já tenha se encontrado com o nosso Deus, o Deus das revoluções: alguém que se reconhece como é e sabe que depende exclusivamente da misericórdia de Deus para se manter de pé e lutar as Suas Lutas. Lutas revolucionárias.

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