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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
Matinas Suzuki Jr mandou bem no Editorial do iG.

Uma guerra sem glórias

A guerra começa. O presidente norte-americano George W. Bush -sem representar a unanimidade da opinião pública de seu país- oferta, com seu radicalismo, um período de incertezas e privações para todos os países do mundo.
Se os ataques do radicalismo islâmico destruíram as torres do World Trade Center, o radicalismo anglo-saxão, iniciado nesta quarta-feira, vai destruir, simbolicamente, na mesma Nova York, a torre do edifício das Nações Unidas.
A queda de Saddam Hussein pela violência suprema vale a destruição da ONU? Vale o desprezo pela Europa Continental e pela China? Vale ignorar arrogantemente os apelos da consciência universal? Quando cessarem os raides dos B-52 e B2 sobre Bagdá, estaremos vivendo em um mundo mais seguro? Que democracia é essa que um outro fanatismo pretende ensinar aos iraquianos?
Saddam Hussein é um criminoso. Contra ele formava-se um cordão de isolamento. Lideranças acreditavam em saída indolor para a crise iraquiana. Mas, agora, o mundo está mergulhando em uma aventura bélica inglória e sem chance de se haver vencedores. Já estamos todos perdendo, mas os maiores perdedores serão os próprios Estados Unidos.
Perdedores por prorrogar internamente a paranóia de atentados, perdedores por criar um amplo ressentimento mundial, perdedores por eventuais respostas européias e chinesas, e perdedores por quebrar a frágil aliança das Nações Unidas -um dos últimos refúgios da pequena esperança que restava em um mundo melhor, um mundo melhor inclusive para os americanos.

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