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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
A ignorância é uma bênção (ou o ignorante é que é feliz). Três de bons filmes que assisti na vida citam a frase acima: Matrix, Swordfish e 13º andar.
Bem, após ler o livro de Carlos Dorneles, não pude pensar outra coisa. Não saber é talvez ser mais feliz. A consciência de fazer parte do mundo, mas a certeza de que ele é incontrolável, inalcançável e bem maior que você, é aterrorizante. Eu faço parte do mundo que não posso controlar. Esse mundo é parte de mim. Sinto-me pequeno e incapaz.
O desespero me faria desejar fugir do mundo. Para um lugar em que pudesse respirar sem angústia. Talvez a morte ou o mundo da lua. (Onde está a realidade da minha utopia?)
Talvez eu preferisse não ter consciência de quem são os EEUU. Viveria mais tranqüilo. Porque hoje sei quem são, a revolta contra o fato quase me sufoca; mas o que eu posso fazer de concreto? O quê?
Como é ruim perceber que a campanha anti-terror de Bush gerou tantas carnificinas, como o Afeganistão e Jenin, e não posso fazer nada. NADA! NADA

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