Pular para o conteúdo principal

Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
Há uma crítica que ainda quero desenvolver melhor, com mais calma. Dirige-se contra a defesa que muitos crentes gostam de fazer de que irmão vota em irmão . E geralmente essa teologia se fundamenta em textos do Antigo Testamento, referentes à escolha do rei por Israel. Alguém que deveria ser fiel a Ele, para que a nação pudesse ser abençoada.
Creio que não seja difícil entender essa transposição como ilegítima.
Israel era uma teocracia, cujo culto oficial era a religião de Javé. Aquele era um ambiente de absoluta intolerância religiosa, e a Bíblia nos diz que os que se desviassem de Javé, deveriam ser morto (exatamente como acusamos o Alcorão de ensinar aos muçulmanos).
Obviamente, o rei dessa teocracia, soberano absoluto sobre o país, deveria ser um fiel adepto da religião de Javé. O próprio AT, em diversos momentos, avalia o reinado de algum deles a partir de seu compromisso com Javé.
Transpor esses textos para a nossa realidade é ilegítimo, por algumas razões. Em primeiro lugar, não vivemos em uma teocracia, mas sim em uma democracia com Estado laico. Ou seja, o Brasil não tem religião. Nosso país afirma a liberdade religiosa que Israel negava em seu tempo.
Desse modo, os interesses sociais, da coletividade, nem sempre serão os interesses da religião. Isso é completamente o oposto do Israel bíblico, onde religião e Estado eram uma coisa só.
O uso desses argumentos na defesa de que o Brasil precisa ser governado por um crente desconsidera a mudança social e política que o tempo trouxe. Desconsidera a separação entre Estado e Igreja, a afirmação de direitos humanos, que incluem a liberdade religiosa, e o surgimento da democracia como pressuposto da vida político-social.
Um governo deve atender aos interesses mais prementes de uma sociedade. Assim, pode até ser composto por cristãos evangélicos, mas não por isso.
Creio que os critérios para a escolha de governantes deve passar longe da religião, mas muito perto dos pobres. Esses critérios devem ser, especialmente, a justiça e a paz social, promovida através da luta pela democracia social, o fim das desigualdades, a defesa dos pobres. Sim, dos mais pobres e subalternos na sociedade, porque os ricos já sabem se defender.
A participação política dos crentes deve se pautar na luta, hodiernamente, contra o neoliberalismo, maior construtor dos abismos sociais contemporâneos, que anseia por acabar com quaisquer ações sociais, socorro dos necessitados, pensando mais no lucro do que nas pessoas.
Dessa maneira, não acredito ter coerência bíblica outra opção a não ser a esquerda para o envolvimento dos crentes.
Penso que essa idéias ainda precisam ser melhor trabalhadas. Por isso, aceito e preciso de críticas.

Comentários

Postagens mais visitadas