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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
É uma sensação desagradável você ver as coisas darem errado quando era isso o que você menos imaginava. É desagradável você ver piorar uma situação que você julgava superada e resolvida.
Pois é. Concretizando a Lei de Murphy, esse amigo de vocês percebeu que tudo pode dar errado quando tem alguma chance de dar errado.
Eu me vejo agora em uma encruzilhada pior que a da igreja cristã, porque é algo por demais pessoal. E envolve pessoas em que eu confiei. E cada uma contou uma história oposta a da outra. Aliás, três pessoas. Cada uma contando uma história que se excluem mutuamente. E nem dá para fazer uma acariação: duas estão em Fortaleza e uma em Natal.
E sabe o que é pior? Sobra é para mim. Eu é que me dou bem, entendeu. Aparentemente, um ambiente que eu amo de paixão está se fechando para mim por culpa de uma dessas pessoas acima.
É por isso que a Palavra do Antigo Testamento já advertia, Jeremias mais exatamente: “Maldito o homem que confia no homem!” Maldito!

Aí, não tem Revolução que suporte uma crise pessoal. Então, vá lá: por motivo de força superior (incluindo aí uma noite não dormida) o seminarista revolucionário somente pode tratar de cuidar de sua vida implodida (momentaneamente).
Mas ainda dá para citar Richard Shaull

Acredito que em tempos de crise tão profunda como a que vivemos é que um remanescente de cristãos redescobre a essência de sua fé e de sua história. À medida em que morrem para o seu passado, experimentam a ressurreição e, assim, mais uma vez a comunidade de fé surge quando menos se espera. Acredito que surpresas podem estar à nossa frente quando menos se espera. Acredito que surpresas podem estar à nossa espera no curso das próximas décadas.

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