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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
É uma sensação desagradável você ver as coisas darem errado quando era isso o que você menos imaginava. É desagradável você ver piorar uma situação que você julgava superada e resolvida.
Pois é. Concretizando a Lei de Murphy, esse amigo de vocês percebeu que tudo pode dar errado quando tem alguma chance de dar errado.
Eu me vejo agora em uma encruzilhada pior que a da igreja cristã, porque é algo por demais pessoal. E envolve pessoas em que eu confiei. E cada uma contou uma história oposta a da outra. Aliás, três pessoas. Cada uma contando uma história que se excluem mutuamente. E nem dá para fazer uma acariação: duas estão em Fortaleza e uma em Natal.
E sabe o que é pior? Sobra é para mim. Eu é que me dou bem, entendeu. Aparentemente, um ambiente que eu amo de paixão está se fechando para mim por culpa de uma dessas pessoas acima.
É por isso que a Palavra do Antigo Testamento já advertia, Jeremias mais exatamente: “Maldito o homem que confia no homem!” Maldito!

Aí, não tem Revolução que suporte uma crise pessoal. Então, vá lá: por motivo de força superior (incluindo aí uma noite não dormida) o seminarista revolucionário somente pode tratar de cuidar de sua vida implodida (momentaneamente).
Mas ainda dá para citar Richard Shaull

Acredito que em tempos de crise tão profunda como a que vivemos é que um remanescente de cristãos redescobre a essência de sua fé e de sua história. À medida em que morrem para o seu passado, experimentam a ressurreição e, assim, mais uma vez a comunidade de fé surge quando menos se espera. Acredito que surpresas podem estar à nossa frente quando menos se espera. Acredito que surpresas podem estar à nossa espera no curso das próximas décadas.

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