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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
Shaull,
Sei que você já não pode ler isso. E por isso realmente eu lamento.
Sabe, hoje, lendo o texto que você escreveu sobre o 11 de Setembro chorei ao perceber que não pude nem poderei mais te conhecer aqui, neste mundo.
E nem ousaria dizer que a morte veio cedo demais para você. Primeiro, porque sei que sua intensa vida fez com que cada segundo dela valesse a pena, não só para você, mas também para todos os que deixaram levar por seu gênio. Valeu a pena para mim, jovem de 23 anos, que um ano atrás jamais ouvira falar em você. E chegou muito tarde a esse mundo para poder te ver. Acho que, mesmo assim, você ainda tinha muito mais a oferecer a este belicoso mundo.
Você esteve no início dos anos 90 lá no Seminário de Fortaleza, meu lar teológico. Uma pena eu não estar lá.
Invejo os privilegiados que puderam conviver com você, aprender diretamente de você, ouvir de sua boca sobre o Deus das revoluções e ser confrontado com Ele por meio do seu ministério. Eles viveram, junto a você, momento ímpar de produção teológica.
Ouso lhe dizer uma coisa. Algum tempo atrás costumava orar pedindo para ser alguém como Moody, como Graham nas mãos de Deus. Porém, hoje, seria imensamente feliz se pudesse servir a Deus como um Richard Shaull. Ser um seu continuador.
Ser um pensador que crê no Deus das revoluções.
Adeus,
Daniel.

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