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Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
Shaull,
Sei que você já não pode ler isso. E por isso realmente eu lamento.
Sabe, hoje, lendo o texto que você escreveu sobre o 11 de Setembro chorei ao perceber que não pude nem poderei mais te conhecer aqui, neste mundo.
E nem ousaria dizer que a morte veio cedo demais para você. Primeiro, porque sei que sua intensa vida fez com que cada segundo dela valesse a pena, não só para você, mas também para todos os que deixaram levar por seu gênio. Valeu a pena para mim, jovem de 23 anos, que um ano atrás jamais ouvira falar em você. E chegou muito tarde a esse mundo para poder te ver. Acho que, mesmo assim, você ainda tinha muito mais a oferecer a este belicoso mundo.
Você esteve no início dos anos 90 lá no Seminário de Fortaleza, meu lar teológico. Uma pena eu não estar lá.
Invejo os privilegiados que puderam conviver com você, aprender diretamente de você, ouvir de sua boca sobre o Deus das revoluções e ser confrontado com Ele por meio do seu ministério. Eles viveram, junto a você, momento ímpar de produção teológica.
Ouso lhe dizer uma coisa. Algum tempo atrás costumava orar pedindo para ser alguém como Moody, como Graham nas mãos de Deus. Porém, hoje, seria imensamente feliz se pudesse servir a Deus como um Richard Shaull. Ser um seu continuador.
Ser um pensador que crê no Deus das revoluções.
Adeus,
Daniel.

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