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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
Reflexões sobre o uso do nome de Deus

Os judeus são escrupulosos ao extremo com relação ao nome de Deus. Afinal é mandamento da Lei de Moisés não usar o nome de Deus em vão. Os judeus se tornaram tão escrupulosos que nós perdemos a pronúncia desse nome. Sim, porque o texto se refere a um nome específico, o nome com o qual Deus se apresentou na Aliança.
O hebraico (escrito) não tinha vogais até o século XIII, quando os massoretas criaram sinais (pontos e linhas) a serem colocados sob as palavras a fim de preservar a pronúncia. Só que o nome de Deus (YHWH) não poderia ser pronunciado em vão. Dessa maneira, sua pronúncia foi perdida. Então, os massoretas colocaram sob o tetragrama as vogais de Elohim (Deuses - ?) ou Adonai (Senhor), dependendo do contexto. Assim, o judeu, diante da palavra YHWH, lê Elohim ou Adonai, dependendo das vogais. Entendeu? Ele jamais pronuncia o tetragrama, mesmo porque não sabemos a sua pronúncia.
Do uso dessas vogais, nasceram as formas portuguesas para o nome de Deus: Javé, Iavé ou Jeová. Em sentido estrito é esse o nome de Deus que não pode ser usado em vão. Ao ponto que o judeu moderno chama seu Deus apenas por “O Nome” (Ha Shamaim).
O escrúpulo judaico é tanto que eles não conjugam o verbo ser, a não que se refira a Deus. Isso porque provavelmente o nome de Deus deriva da frase: “Eu Sou”. Assim, para o judeu somente Deus é.
Essa é uma possível legitimação para o uso da palavra deus em outros contextos. O fale com deus, por exemplo, toma o cuidado de usar o substantivo com letra minúscula.

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