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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
Ontem um presbítero orou assim na igreja: “Senhor, nós Te adoramos porque o Senhor conhece o nosso coração”. Frase que dá o que pensar.
Se ele ou qualquer outro na igreja tivesse prestado atenção no que foi dito e se fôssemos honestos no nosso conhecimento de nós mesmos, calaríamos nesse momento.
Não nos conhecemos o suficiente ou não prestamos atenção ao que dizemos. Ou mesmo as duas coisas. O fato é que a consciência de estarmos diante de Deus e que Ele conhece o nosso coração deveria nos levar ao silêncio arrependido, ao quebrantamento ajoelhado.
Kierkegaard nos que o que qualifica nosso pecado é o fato de que estamos diante de Deus. Simplesmente, nos posicionamos perante Deus. Dessa maneira, somos criminosos qualificados.
Se conhecêssemos o nosso coração, saberíamos o quão miseráveis somos. O quão indignos de adorar a Deus. Saberíamos que o que faz diferença é termos conhecido a graça, único elemento que nos permitir existir diante do Deus santo.
Se soubéssemos isso, ou não oraríamos como o presbítero, ou calaríamos nesse momento, arrependidos, ajoelhados, quebrantados.

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