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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
Ontem um presbítero orou assim na igreja: “Senhor, nós Te adoramos porque o Senhor conhece o nosso coração”. Frase que dá o que pensar.
Se ele ou qualquer outro na igreja tivesse prestado atenção no que foi dito e se fôssemos honestos no nosso conhecimento de nós mesmos, calaríamos nesse momento.
Não nos conhecemos o suficiente ou não prestamos atenção ao que dizemos. Ou mesmo as duas coisas. O fato é que a consciência de estarmos diante de Deus e que Ele conhece o nosso coração deveria nos levar ao silêncio arrependido, ao quebrantamento ajoelhado.
Kierkegaard nos que o que qualifica nosso pecado é o fato de que estamos diante de Deus. Simplesmente, nos posicionamos perante Deus. Dessa maneira, somos criminosos qualificados.
Se conhecêssemos o nosso coração, saberíamos o quão miseráveis somos. O quão indignos de adorar a Deus. Saberíamos que o que faz diferença é termos conhecido a graça, único elemento que nos permitir existir diante do Deus santo.
Se soubéssemos isso, ou não oraríamos como o presbítero, ou calaríamos nesse momento, arrependidos, ajoelhados, quebrantados.

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