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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
Ontem eu ouvi na rua alguns senhores conversando. E um deles já vaticinava que Lula não ganharia mais nem uma eleição para síndico de prédio, pela decepção que tem causado aos seus 53 milhões de eleitores.
É óbvio que isso é uma precipitação sem tamanho. Dois meses de governo não podem determinar o futuro político de ninguém. Mas não deixo de estar preocupado.
Ano passado, uma onda vermelha de esperança invadiu o Brasil. Muitos votaram em Lula pelo clima de otimismo que movia sua campanha. Muitos sabiam que algo precisava mudar, mas eram incapazes de saber exatamente o quê.
Eu não gostaria de me incluir nesse grupo. Desde 1989, sou lulista de carteirinha. Meu pai ajudou a fundar o PT, e, mesmo que não tivéssemos a convivência que eu gostaria, isso marcou profundamente politicamente. Eu acreditei, acredito e sempre acreditarei no PT.
Mas estou preocupado. Não votei em Lula sem saber o que precisava mudar. Também acho que a mudança não pode ser radical. Porque romper com o estabelecido para cair no vazio iria ser um desastre total. Mas me preocupa que a ortodoxia econômica do governo não se afasta um passo do neoliberalismo e o governo não parece conhecer alternativas (a não ser a volta do planejamento desenvolvimentista da Cepal dos anos 50 e 60).
Aumento de juros, manutenção de política monitarista e corte de gastos públicos em áreas sociais para equilíbrio de contas são premissas neoliberais, desde Pinochet, Thatcher e Reagan. E foram os passos que a atual ekipeconômica gerou.
Acho que ainda é muito cedo. Há tempo para mudarmos o modelo nesse governo. Não sei, porém, se haverá tempo para que as vítimas excluídas desse modelo idolátrico sobrevivam. Se Deus e o Fome Zero ajudar. E se Lula não se constituir no maior estelionatário da história do Brasil, como falava o Vampiro Brasileiro, Serra.
Mas eu ainda creio em Lula, no PT e na mudança. Ainda sou lulista de carteirinha. Ainda acredito que o PT poderá ser o agente da revolução social preconizada por José Dirceu na cerimônia de sua posse.
Que o Deus da revolução nos ajude.

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