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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
O futuro não é de muita esperança. Especialmente quando tem seus destinos comandados por um homem como George W. Bush. Fiquei ainda mais decepcionado quanto li hoje um texto que o jornal em que trabalho vai publicar semana que vem, como matéria paga.
Nele, um pastor defende a política externa norte-americana como defesa da justiça e liberdade mundiais. Diz que se a ONU não atacar o Iraque estará sendo conivente com a morte de milhões de inocentes (!). Que George Bush é o baluarte da paz mundial. Além de desprezar as manifestações pela paz em todo o mundo, como partindo de algumas poucas pessoas (em Londres, a manifestação reuniu um milhão de pessoas: a maior manifestação pacifista da história britânica, no país que é o principal aliado de Bush). Subiu uma indignação quase incontrolável com a parcialidade ideológica do texto. Partiu meu coração.
Acredito que nenhum desses pacifistas é cego quanto às atrocidades da ditadura de Saddam. Mas ninguém acha que o maior império da terra é inocente e justo. E sabe que sua ação vai causar a morte de muitos inocentes e arrasar um país já arrasado. Na Guerra do Golfo, 150 mil civis iraquianos foram mortos pelas tropas de Bush Pai. Será que se pode defender uma ação assim como cristã? Ou defender a morte, até hoje, de milhares de crianças iraquianas, por causa das sanções impostas pelos ianques?
Por que será que os americanos não se questionam seriamente pelo fato de serem a nação mais odiada do mundo?
Tenho pouca esperança hoje. Espero que os cristãos brasileiros que vão se reunir para orar e meditar diante de Deus nos próximos dias possam, dessa maneira, mover a história para que seja diferente. De outra forma, a dor e a iniquidade tenderão a se multiplicar ainda mais.
Até a próxima quinta-feira!

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