Pular para o conteúdo principal

Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
No Da obra alheia, a sacerdotisa do absurdo expôs ontem seu prazer na leitura de “A farsa da boa preguiça”, de Ariano Suassuna. Isso me fez lembrar duas história ouvidas dele, que jamais me esqueci.
A primeira foi na abertura da reunião da SBPC em Natal, no ano de 1998. Ele contou que estava orientando o trabalho de duas estudantes de antropologia. Elas foram fazer uma pesquisa em uma cidade do interior pernambucano. Lá, encontraram um pescador. O diálogo que se seguiu foi mais ou menos assim:
- Como é o nome do prefeito da cidade?, perguntaram as moças.
- Sei não senhora, respondeu o pescador.
- O senhor sabe quem é o governador do estado?
- Não...
- E o nome do presidente? O senhor sabe?
- Não é Getúlio Vargas?
- Mas o senhor é muito ignorante...
Indignado, o homem as levou ao seu barco de pesca;
- Me diga uma coisa: a senhora sabe o nome desse peixe aqui?, perguntou o pescador.
- Não, disse a jovem.
- E esse aqui? A senhora sabe?
- Não.
Então, sabiamente, o pescador concluiu:
- Eu prefiro as minhas ignorâncias do que a sua sabedoria.

Comentários

Postagens mais visitadas