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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
Mas na verdade a heresia é teologia dos galardões. Inúmeros exemplos em Jesus demonstrariam que o Reino dos Céus constitui-se de uma sociedade sem classes. Mas gostaria de citar uma parábola que encerra, com clareza, a questão dos galardões. Aliás, ela foi dita por Jesus justamente para responder a essa questão.
O texto é Mateus 20. Lá Jesus conta a parábola sobre um dono de terras que sai diversas vezes em um dia para contratar trabalhadores, combinando com eles o salário de um denário.
Na hora do pagamento, aqueles que trabalharam apenas uma hora recebem primeiro esse salário. Em seguida, quando os que passaram o dia todo trabalhando vão receber o salário, se chateiam por terem recebido a mesma quantia (esperavam receber mais, pois fizeram mais).
Mas o empregador lhes lembra o salário combinado e que ele não pode ser chamado de injusto por querer pagar a todos a mesma quantia.

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