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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
Mas essa é uma discussão irrelevante diante do que deve ser tomado a sério. Nós tomamos nossos ritos e verdades muito a sério. Incomodamo-nos muito com o uso de palavras exteriores e não nos preocupamos tanto com nossa prática.
Acho divertidíssima a campanha do fale com deus: cada vez que você se masturba, deus mata um gatinho. Será que como cristãos somos incapazes de conviver com a sátira numa boa?
Isso sem contar com o que considero usar o nome de Deus em vão. Usar o nome de Deus em vão é se utilizar do cristianismo como instrumento para legitimação de fatos, atitudes e ideologias claramente opostas à vontade do Deus que se revela na Bíblia.
Usamos o nome de Deus em vão quando o utilizamos para angariar votos em campanhas eleitorais, como fez Garotinho.
Usamos o nome de Deus em vão quando nos colocamos contrários às transformações profundas e necessárias que nosso mundo necessita, e lutamos por manter quaisquer status quo demoníacos.
Usamos o nome de Deus em vão quando, em nome de Deus ou da Bíblia, defendemos a política imperialista de Israel ou dos EUA.

Se o meu Deus se resumisse a um nome, meu universo iria ser muito pequeno. Usar o nome de Deus é uma questão de postura ideológica e de postura diante de Deus. Tentar usar o próprio Deus, manipular. Ou usar a fé em busca de poder.

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