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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
Mas essa é uma discussão irrelevante diante do que deve ser tomado a sério. Nós tomamos nossos ritos e verdades muito a sério. Incomodamo-nos muito com o uso de palavras exteriores e não nos preocupamos tanto com nossa prática.
Acho divertidíssima a campanha do fale com deus: cada vez que você se masturba, deus mata um gatinho. Será que como cristãos somos incapazes de conviver com a sátira numa boa?
Isso sem contar com o que considero usar o nome de Deus em vão. Usar o nome de Deus em vão é se utilizar do cristianismo como instrumento para legitimação de fatos, atitudes e ideologias claramente opostas à vontade do Deus que se revela na Bíblia.
Usamos o nome de Deus em vão quando o utilizamos para angariar votos em campanhas eleitorais, como fez Garotinho.
Usamos o nome de Deus em vão quando nos colocamos contrários às transformações profundas e necessárias que nosso mundo necessita, e lutamos por manter quaisquer status quo demoníacos.
Usamos o nome de Deus em vão quando, em nome de Deus ou da Bíblia, defendemos a política imperialista de Israel ou dos EUA.

Se o meu Deus se resumisse a um nome, meu universo iria ser muito pequeno. Usar o nome de Deus é uma questão de postura ideológica e de postura diante de Deus. Tentar usar o próprio Deus, manipular. Ou usar a fé em busca de poder.

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