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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
Já tinha lido de José Comblin, que é um padre belga radicado no Brasil, um excelente livrinho: “O Enviado do Pai”. Realmente achei o melhor comentário sobre o evangelho de João que jamais lera. Agora, estou devorando “Neoliberalismo”:

A globalização é um mito e o mercado total é um mito. Porém, em nome deste mito, uma nova classe impõe uma ditadura de fato, limita os poderes dos Estados e transforma a democracia em fachada ou comédia, controla o pensamento único e condena à exclusão, ou seja, à miséria da nova pobreza a maioria da humanidade.

Mais à frente, Comblin afirma que os neoconservadores que aplicaram a ideologia neoliberal a partir dos anos 80 (com Thatcher e Reagan), ou mesmo antes, no Chile de Pinnochet, procuraram se firmar em uma pretensa afinidade profunda entre cristianismo e capitalismo. Então,

os neoconservadores estimam que a contribuição da religião cristã para a salvação do capitalismo é fundamental. O que é que se espera dos cristãos?
Em primeiro lugar, faz-se um apelo para que os cristãos legitimem o capitalismo. Pois há muitos cristãos que desacreditam nele e buscam outras soluções.
...
No fundo, o que se quer é que o cristianismo mantenha a sociedade para que o capitalismo possa continuar destruindo-a. É uma tarefa sem fim.


Parece que os meus visitantes de ontem acataram perfeitamente o papel que lhes cabe no processo neoliberal. Não perceberam que não passam, assim, de promotores da ideologia imperialista norte-americana, profundamente anti-bíblica e anti-cristã.
Perceba, também, como a crítica da sacerdotisa do absurdo casa perfeitamente com a posição de Comblin.

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