Pular para o conteúdo principal

Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
Já tinha lido de José Comblin, que é um padre belga radicado no Brasil, um excelente livrinho: “O Enviado do Pai”. Realmente achei o melhor comentário sobre o evangelho de João que jamais lera. Agora, estou devorando “Neoliberalismo”:

A globalização é um mito e o mercado total é um mito. Porém, em nome deste mito, uma nova classe impõe uma ditadura de fato, limita os poderes dos Estados e transforma a democracia em fachada ou comédia, controla o pensamento único e condena à exclusão, ou seja, à miséria da nova pobreza a maioria da humanidade.

Mais à frente, Comblin afirma que os neoconservadores que aplicaram a ideologia neoliberal a partir dos anos 80 (com Thatcher e Reagan), ou mesmo antes, no Chile de Pinnochet, procuraram se firmar em uma pretensa afinidade profunda entre cristianismo e capitalismo. Então,

os neoconservadores estimam que a contribuição da religião cristã para a salvação do capitalismo é fundamental. O que é que se espera dos cristãos?
Em primeiro lugar, faz-se um apelo para que os cristãos legitimem o capitalismo. Pois há muitos cristãos que desacreditam nele e buscam outras soluções.
...
No fundo, o que se quer é que o cristianismo mantenha a sociedade para que o capitalismo possa continuar destruindo-a. É uma tarefa sem fim.


Parece que os meus visitantes de ontem acataram perfeitamente o papel que lhes cabe no processo neoliberal. Não perceberam que não passam, assim, de promotores da ideologia imperialista norte-americana, profundamente anti-bíblica e anti-cristã.
Perceba, também, como a crítica da sacerdotisa do absurdo casa perfeitamente com a posição de Comblin.

Comentários

Postagens mais visitadas