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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
Essa eu trouxe do Leite de Pato e Adaílton Persegonha já trouxe do Tribuna da Imprensa.

A irmandade dos cínicos
O Morgan-Stanley está emitindo um comunicado afirmando que errou "dramaticamente" nas suas previsões sobre o Brasil e recomenda aos investidores que recomprem papéis do País. Ora, esta é mais uma tremenda mistificação, sobretudo porque o banco de investimentos não errou coisa alguma, mas sim especulou violentamente e jogou os títulos brasileiros no chão, ganhando rios de dinheiro ao recomendar a quem os tinha que os vendesse.


Há muito que estas instituições financeiras atuam no "limite da irresponsabilidade" - onde é que já disseram isto? Não têm credibilidade alguma e só se sustentam por conta do nome que ostentam e do relacionamento espúrio com vários países. Quem dá confiança a esses tubarões são os jornalistas comprados, e muito bem comprados, que usam os veículos de comunicação para dizer com a cara mais limpa do mundo que o Morgan-Stanley "errou" feio. Seria de morrer de rir se não fosse de causar indignação.


Agora, esse mesmo banco recomenda que se compre papéis brasileiros. Vem com uma história no mínimo estúpida, explicando que previra um cenário semelhante ao da Venezuela (moratória, quebras de contrato, populismo de esquerda). Não se sabe com que espécie de pitonisa o Morgan-Stanley trabalha, mas, certamente, trata-se de um imbecil. Ou uma equipe de imbecis. Ou uma equipe de gente mau-intencionada. E, das três hipóteses, a mais próxima da realidade é a de que, realmente, houve cretinice.


O pior de tudo isso é que não existe nenhum organismo internacional que puna violentamente quem age de forma tão nociva. A Arthur Andersen está aí, firme e forte, depois de ter atuado de forma decisiva no escândalo da Enron. Agora é o Morgan-Stanley, que simplesmente atentou criminosamente contra a economia de um país, numa jogada claramente favorável ao então candidato presidencial do governo, que se desculpa publicamente e fica tudo por isto mesmo. Bonito. E que ninguém se engane: os bancos de investimentos continuarão agindo da mesma forma.


Lula perdeu uma chance de ouro de bater forte, em Davos, neste tipo de gente. O fundo mundial contra a fome que propôs passa, antes de mais nada, pelo estabelecimento de uma nova ética. Que jamais haverá enquanto o mercado financeiro internacional tiver agentes como o Morgan-Stanley.

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