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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
É engraçado o modo como Comblin cita Fernando Henrique:

Ora, como dizia o célebre sociólogo latino-americano: “Todo o mundo sabe que a utopia de nosso século é possível”.
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Como diz o eminente sociólogo brasileiro: “Já está na hora de dedicar novos esforços à medição dos logros do desenvolvimento, com a ajuda de indicadores centrados na qualidade de vida e ba igualdade na distribuição de bens e serviços”.
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O eminente sociólogo brasileiro expõe da seguinte maneira o desafio.
“O conceito e a meta estratégica que resume esta forma de desenvolvimento é o de autonomia. Esta é uma categoria política que rejeita a idéia de que a superioridade tecnológica dos grandes poderes é inevitável: a autonomia implica a não aceitação do monopólio das tecnologias sofisticadas, que é a maneira com a qual as economias centrais e os seus setores mais dinâmicos – as corporações transnacionais – tratam de garantir o seu domínio sobre as economias dependentes do Terceiro Mundo. Até há pouco, a indiscutível primazia da tecnologia não deixava aos países do Terceiro Mundo outra alternativa a não ser a de copiar o modelo da civilização industrial-predatória para assegurar a sua integridade nacional (ou para manter a ilusão) e para levar a cabo um processo de crescimento industrial que tornara possível – talvez e no futuro – o aumento do nível de vida das massas indigentes ... Na atualidade os povos do Terceiro Mundo buscam outras alternativas, e na consciência dos seus mais destacados representantes científico-técnicos se chegou à convicção de que: O modelo tecnológico exposto pelo paises industrializados não pode ser aplicado sem provocar sérios transtornos, a não ser que esteja acompanhado de significativas redefinições do controle político e das suas conseqüências sociais. As alternativas de solução são viáveis, mas exigem imaginação, pesquisa e reorientação dos investimentos”.
Não sabemos se o sociólogo ainda pensa da mesma maneira. Como presidente da República, não parece que esteja agindo de acordo com os pensamentos que expressava então com tanta clareza.


O texto de Comblin é de 1999. Já o de FHC é de 1978. Faz parte da coleção esqueçam o que escrevi.

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