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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
É engraçado o modo como Comblin cita Fernando Henrique:

Ora, como dizia o célebre sociólogo latino-americano: “Todo o mundo sabe que a utopia de nosso século é possível”.
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Como diz o eminente sociólogo brasileiro: “Já está na hora de dedicar novos esforços à medição dos logros do desenvolvimento, com a ajuda de indicadores centrados na qualidade de vida e ba igualdade na distribuição de bens e serviços”.
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O eminente sociólogo brasileiro expõe da seguinte maneira o desafio.
“O conceito e a meta estratégica que resume esta forma de desenvolvimento é o de autonomia. Esta é uma categoria política que rejeita a idéia de que a superioridade tecnológica dos grandes poderes é inevitável: a autonomia implica a não aceitação do monopólio das tecnologias sofisticadas, que é a maneira com a qual as economias centrais e os seus setores mais dinâmicos – as corporações transnacionais – tratam de garantir o seu domínio sobre as economias dependentes do Terceiro Mundo. Até há pouco, a indiscutível primazia da tecnologia não deixava aos países do Terceiro Mundo outra alternativa a não ser a de copiar o modelo da civilização industrial-predatória para assegurar a sua integridade nacional (ou para manter a ilusão) e para levar a cabo um processo de crescimento industrial que tornara possível – talvez e no futuro – o aumento do nível de vida das massas indigentes ... Na atualidade os povos do Terceiro Mundo buscam outras alternativas, e na consciência dos seus mais destacados representantes científico-técnicos se chegou à convicção de que: O modelo tecnológico exposto pelo paises industrializados não pode ser aplicado sem provocar sérios transtornos, a não ser que esteja acompanhado de significativas redefinições do controle político e das suas conseqüências sociais. As alternativas de solução são viáveis, mas exigem imaginação, pesquisa e reorientação dos investimentos”.
Não sabemos se o sociólogo ainda pensa da mesma maneira. Como presidente da República, não parece que esteja agindo de acordo com os pensamentos que expressava então com tanta clareza.


O texto de Comblin é de 1999. Já o de FHC é de 1978. Faz parte da coleção esqueçam o que escrevi.

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