Pular para o conteúdo principal

Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
... os pobres têm a televisão com os seus jogos, os seus shows, os seus concursos e o ambiente de otimismo e felicidade. Eles têm o espetáculo do esporte. A educação popular fica cada vez pior. Em compensação, os pobres têm uma religião de muita emoção, muito consolo, muito afeto, uma ilusão de paraíso na terra. Tudo isso ajuda a suportar todos os males que derivam, segundo se diz, da famosa crise mundial. Ninguém se responsabiliza pela miséria. É a crise mundial. Com certeza, sairemos dela graças às promessas dos governantes. Estes já podem dar somente promessas. Não têm mais nada para dar aos pobres.
José Comblin
Neoliberalismo – Ideologia dominante na virada do século.

Comentários

Postagens mais visitadas