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Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
Assim, é possível antever o contexto e as motivações que desenvolvem a teologia dos galardões, muito (mas muito mesmo) comum em ambientes evangélicos.
Essa teologia afirma que no Reino consumado as pessoas estarão mais perto de Jesus na medida de suas obras na terra em prol da vontade de Deus. Essa retribuição também é entendida como jóias (bênçãos) que os crentes vão receber em sua coroa na glória.
De qualquer maneira, tal concepção torna inexistente uma possível sociedade sem classes. Mesmo no céu, a sociedade de classes do nosso mundo será reproduzida, havendo uma elite espiritual (rica de jóias em suas coroas) e um proletariado, que por muito pouco escapou da perdição (pelo fogo).
E como em geral os adeptos dessa teologia entendem as boas ações que merecem galardão na medida do dinheiro que o crente investe “na obra”, essa elite continua sendo a mesma elite capitalista, mundana, que há nas igrejas hoje.
Não é de se estranhar que essa ideológica concepção teológica tenha nascido nos EUA e tenha ganhado força, ocupando o espaço de diversos movimentos críticos, utópicos, libertacionistas, sempre entendidos como heréticos.

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