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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
Ano passado, fiz uma exegese em Romanos 13, procurando uma resposta à pergunta pelo lugar da desobediência na vida cristã.
Fui até o Comentário a Romanos e me decepcionei com Barth. Ali ele afirma que não lugar para a Revolução na perspectiva cristã.
Mas Barth não estava morto. Suas perspectivas mudaram, especialmente quando surgiu o nazismo na Alemanha (onde estava radicado). Quando a Igreja Alemã, em peso, se aliou a Hitler, Barth, Brunner, Bonhoeffer e muitos outros, a partir da Confissão de Barmen, se uniram no movimento conhecido como Igreja Confessante, resistindo ao regime do III Reich. Bonhoeffer foi morto em 1945 em um campo de concentração, acusado de participação em um plano para assassinar Hitler.
E a perspectiva barthiana mudou tanto, que ele é citado por Waldo César, conforme Joanildo Albuquerque Burity:
[A esperança que Cristo nos deu é] a esperança mais revolucionária que se pode conceber, ao lado da qual todas as outras revoluções não são mais do que miseráveis foguetinhos.
Waldo César responde que revolução é essa:
Trata-se da mudança das estruturas arcaicas e iníquas em que vive o nosso povo. Nós [a igreja] deveríamos andar na vanguarda dos movimentos de renovação. Temos todos os elementos para isto.

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