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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
Veja se o texto bíblico não pode responder ao que o poeta nos põe. O poeta, no caso, é João Cabral de Mello Neto. É o “Funeral de um lavrador”. É “Morte e vida severina”.
O poeta trata do mesmo assunto de Levítico 25. 8 – 13. Levítico traz uma resposta de Deus à questão da terra: Reforma Agrária!

Funeral de um lavrador (Morte e vida Severina – João Cabral de Mello Neto)

Esta cova em que estás com palmos medida
É a conta menor que tiraste em vida

É de bom tamanho nem largo nem fundo
É a parte que te cabe deste latifúndio

Não é cova grande, é cova medida
É a terra que querias ver dividida

É uma cova grande pra teu pouco defunto
Mas estás mais ancho que estavas no mundo

É uma cova grande pra teu defunto parco
Porém mais que no mundo te sentirás largo

É uma cova grande pra tua carne pouca
Mas a terra dada, não se abre a boca



Levítico 25. 8 – 13
Contem sete semanas de anos, sete vezes sete anos; essas sete semanas de anos totalizam quarenta e nove anos. Então façam soar a trombeta no décimo sétimo mês; no Dia da Expiação façam soar a trombeta por toda a terra de vocês. Consagrem o qüinquagésimo ano e proclamem libertação por toda a terra a todos os seus moradores. Este lhes será um ano de jubileu, quando cada um de vocês voltará para a propriedade de sua família e para o seu próprio clã. O qüinquagésimo ano lhes será jubileu: não semeiem e não ceifem o que cresce por si mesmo nem colham das vinhas não podadas. É jubileu, e lhes será santo; comam apenas o que a terra produzir. Nesse ano do Jubileu cada um de vocês voltará para a sua propriedade.

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