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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
Uma vez estive em um evento evangélico em um ginásio da cidade. Em determinado momento realizou-se uma entrada de bandeiras. O locutor anunciou: “E agora, a bandeira de nossa pátria!” Bandeira do Brasil? Não, de Israel.
Imediatamente, pensei: “Só se for da sua pátria, meu irmão. Meu pavilhão é o do Brasil”.
Mas muitos protestantes têm visão distorcida sobre o Oriente Médio. Para eles, tudo o que Israel fizer, está certo, é da vontade de Deus. O que os palestinos fizerem, mesmo que seja para se defender, é criminoso. E quando alguém levanta a voz contra as atrocidades, especialmente as do governo do Likud, surgem os arautos do fim do mundo, da volta de Jesus.
Tudo isso é fruto de uma visão limitada do mundo. É a mesma visão que realmente acredita que os interesses dos EUA na sua política intervencionista ao redor do mundo são defender a democracia e os direitos humanos. E que é incapaz de entender as motivações daqueles homens que tomaram os quatro aviões no 11 de setembro. Que realmente, de forma maniqueísta, adotou George W. Bush como o “mocinho” e Osama Bin Laden como o lado escuro da Força. Não consegue perceber que nenhum dos Senhores da Guerra tem razão de nada, mas que a Al Qaeda pelo menos tem a sua legitimidade.
A demoníaca filosofia do destino manifesto é presente especialmente em duas nações do mundo: EUA e Israel (as mais odiadas do mundo, também). Eles acreditam que o papel que Deus definiu no mundo para eles é de cabeça, nunca de calda. Acham que existem para imperar. Doa a quem doer.
Eles podem desrespeitar todas as resoluções da ONU contra si. Nunca os outros. Israel, por exemplo, é censurado pelo Conselho de Segurança há mais de trinta anos pela dominação dos territórios ocupados. Ninguém nunca os ameaçou seriamente. O Iraque, bem, que tem a maior reserva de petróleo do mundo ...
O apoio dos crentes a Israel se baseia em uma teologia absurda. Afirma-se que a terra pertence a Israel, por exemplo. Mas ninguém tem critério para perceber, primeiro, que depois de dois milênios de Diáspora, o moderno estado israelense tem pouco a ver com o Israel bíblico.
Também ninguém tem coragem de admitir que todos os textos bíblicos que atestam a posse da terra dada por Deus a Israel foram construídos ideológica e religiosamente no período posterior ao Cativeiro Babilônico, a fim de legitimar a opressão que os judeus estavam infligindo sobre os povos da terra. A fim, também, de legitimar o retorno os exilados para a Palestina, no período do domínio persa. Esdras e Neemias são os pais dessa teologia.
A única legitimação histórica que Israel possui é o holocausto da Segunda Guerra. Se sua ação contra os palestinos voltar a ser tão cruel quanto há algum tempo atrás, Israel vai ser cada vez mais ilegítimo.
Isso se a ocupação dos territórios palestinos já não tiver causado o fim dessa legitimidade.

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