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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
Uma vez estive em um evento evangélico em um ginásio da cidade. Em determinado momento realizou-se uma entrada de bandeiras. O locutor anunciou: “E agora, a bandeira de nossa pátria!” Bandeira do Brasil? Não, de Israel.
Imediatamente, pensei: “Só se for da sua pátria, meu irmão. Meu pavilhão é o do Brasil”.
Mas muitos protestantes têm visão distorcida sobre o Oriente Médio. Para eles, tudo o que Israel fizer, está certo, é da vontade de Deus. O que os palestinos fizerem, mesmo que seja para se defender, é criminoso. E quando alguém levanta a voz contra as atrocidades, especialmente as do governo do Likud, surgem os arautos do fim do mundo, da volta de Jesus.
Tudo isso é fruto de uma visão limitada do mundo. É a mesma visão que realmente acredita que os interesses dos EUA na sua política intervencionista ao redor do mundo são defender a democracia e os direitos humanos. E que é incapaz de entender as motivações daqueles homens que tomaram os quatro aviões no 11 de setembro. Que realmente, de forma maniqueísta, adotou George W. Bush como o “mocinho” e Osama Bin Laden como o lado escuro da Força. Não consegue perceber que nenhum dos Senhores da Guerra tem razão de nada, mas que a Al Qaeda pelo menos tem a sua legitimidade.
A demoníaca filosofia do destino manifesto é presente especialmente em duas nações do mundo: EUA e Israel (as mais odiadas do mundo, também). Eles acreditam que o papel que Deus definiu no mundo para eles é de cabeça, nunca de calda. Acham que existem para imperar. Doa a quem doer.
Eles podem desrespeitar todas as resoluções da ONU contra si. Nunca os outros. Israel, por exemplo, é censurado pelo Conselho de Segurança há mais de trinta anos pela dominação dos territórios ocupados. Ninguém nunca os ameaçou seriamente. O Iraque, bem, que tem a maior reserva de petróleo do mundo ...
O apoio dos crentes a Israel se baseia em uma teologia absurda. Afirma-se que a terra pertence a Israel, por exemplo. Mas ninguém tem critério para perceber, primeiro, que depois de dois milênios de Diáspora, o moderno estado israelense tem pouco a ver com o Israel bíblico.
Também ninguém tem coragem de admitir que todos os textos bíblicos que atestam a posse da terra dada por Deus a Israel foram construídos ideológica e religiosamente no período posterior ao Cativeiro Babilônico, a fim de legitimar a opressão que os judeus estavam infligindo sobre os povos da terra. A fim, também, de legitimar o retorno os exilados para a Palestina, no período do domínio persa. Esdras e Neemias são os pais dessa teologia.
A única legitimação histórica que Israel possui é o holocausto da Segunda Guerra. Se sua ação contra os palestinos voltar a ser tão cruel quanto há algum tempo atrás, Israel vai ser cada vez mais ilegítimo.
Isso se a ocupação dos territórios palestinos já não tiver causado o fim dessa legitimidade.

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