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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
Quando era aluno do primeiro ano do segundo grau no Colégio das Neves em Natal, em um período minha turma teve que trocar a sala 16 (no primeiro andar) por uma do térreo. Um colega havia sido submetido a uma grave cirurgia. Não poderia subir escadas.
Anderson Rodolfo era aquele tipo de garoto simpático que não tinha inimigos e que todas as garotas se apaixonavam. Magrinho, mas muito bonito.
Anderson se formou em direito. Seu sonho, ser juiz. Nos praticamente cinco anos de faculdade me encontrava sempre com ele no campus. Sempre simpático, mesmo que não nunca tenhamos sido muito íntimos.
Anderson ia bem nos concursos. Ontem, quando liguei para dar os parabéns a Emília, soube que a morte chegou mais rápido que o órgão novo que sua mãe ia doar. Anderson morreu em São Paulo, à espera de um transplante.

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