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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
No Leite de Pato está transcrito um texto de Lima Barreto criticando o surgimento de novas seitas evangélicas a todo instante. Concordei com a atualidade do texto e com a verdade relativa daquilo que estava dito.
Richard Shaull e Waldo César apontam algumas das muitas virtudes do movimento neopentecostal. E, admire-se, eles tratam muito especialmente da Igreja Universal do Reino de Deus. César é sociólogo e Shaull foi um teólogo, falecido no ano passado.
Eles apontam, por exemplo, para a recuperação da auto-estima que esses movimentos religiosos trazem às pessoas. Elas de não-pessoas (como fala o Dr. Manfredo Oliveira) passam a ser alguém.
Mesmo o que de mais estranho nós criticamos em tais movimentos, eles demonstram o lado positivo. Veja, por exemplo, o fato de que os crentes de tais igrejas gostam de determinar as coisas para Deus. Eles falam que, nesse momento, pela primeira vez, muitos deles estão se autodeterminando como indivíduos, em um sistema que nos quer fazer crer que não somos ninguém.
Se procurarmos, ainda vamos conseguir pensar em coisas positivas.
É por isso que eles consideram esse movimento do Espírito uma nova Reforma. As igrejas estão chegando em lugares que nunca poderiam. E sabe por que? Porque são igrejas de pobres, que não possuem a nossa corrompida mentalidade elitista. Eles estão fazendo uma igreja que consegue responder às perguntas que o povo realmente está fazendo. Essas igrejas estão levando o evangelho revolucionário, libertador, às vidas de muitos que se viam à mercê da marginalização e desagregação social.
Você sabe qual o maior poder transformador das favelas, segundo os autores? As igrejas. Mas esse tipo de igreja que transforma a sociedade ainda é minoria. Até porque as igrejas que estão em posição chave pouco se envolvem em situações assim.
Acham que o que vai transformar o país é um presidente evangélico. Só que essa frase traz em si a sua própria sentença de morte: o tipo de transformação que eles pregam não tem nada a ver com as transformações que o Brasil precisa. Não tem nada a ver com o Deus revolucionário.
O Deus revolucionário está muito mais presente nesses lugares do que em muitos dos nossos belíssimos (e caros) templos.

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