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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
No Leite de Pato está transcrito um texto de Lima Barreto criticando o surgimento de novas seitas evangélicas a todo instante. Concordei com a atualidade do texto e com a verdade relativa daquilo que estava dito.
Richard Shaull e Waldo César apontam algumas das muitas virtudes do movimento neopentecostal. E, admire-se, eles tratam muito especialmente da Igreja Universal do Reino de Deus. César é sociólogo e Shaull foi um teólogo, falecido no ano passado.
Eles apontam, por exemplo, para a recuperação da auto-estima que esses movimentos religiosos trazem às pessoas. Elas de não-pessoas (como fala o Dr. Manfredo Oliveira) passam a ser alguém.
Mesmo o que de mais estranho nós criticamos em tais movimentos, eles demonstram o lado positivo. Veja, por exemplo, o fato de que os crentes de tais igrejas gostam de determinar as coisas para Deus. Eles falam que, nesse momento, pela primeira vez, muitos deles estão se autodeterminando como indivíduos, em um sistema que nos quer fazer crer que não somos ninguém.
Se procurarmos, ainda vamos conseguir pensar em coisas positivas.
É por isso que eles consideram esse movimento do Espírito uma nova Reforma. As igrejas estão chegando em lugares que nunca poderiam. E sabe por que? Porque são igrejas de pobres, que não possuem a nossa corrompida mentalidade elitista. Eles estão fazendo uma igreja que consegue responder às perguntas que o povo realmente está fazendo. Essas igrejas estão levando o evangelho revolucionário, libertador, às vidas de muitos que se viam à mercê da marginalização e desagregação social.
Você sabe qual o maior poder transformador das favelas, segundo os autores? As igrejas. Mas esse tipo de igreja que transforma a sociedade ainda é minoria. Até porque as igrejas que estão em posição chave pouco se envolvem em situações assim.
Acham que o que vai transformar o país é um presidente evangélico. Só que essa frase traz em si a sua própria sentença de morte: o tipo de transformação que eles pregam não tem nada a ver com as transformações que o Brasil precisa. Não tem nada a ver com o Deus revolucionário.
O Deus revolucionário está muito mais presente nesses lugares do que em muitos dos nossos belíssimos (e caros) templos.

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