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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
Cada vez que vejo os Senhores da Guerra na tevê, meu espírito se indigna. Em especial contra a arrogância yankee.
Aí, busco respirar fundo e lembrar o Deus a quem eu sirvo. Ele abate o soberbo. Ele faz cair às babilônias de todas as eras. Ele reverte a lógica. Ele diz que é maior o que serve, o que dá a sua vida por muitos.
O maior poder do universo, quando esteve entre nós, nasceu na Palestina, periferia do Império Romano. Na Galiléia, periferia da Palestina. Em uma família pobre: Lucas nos conta que ao consagrarem Jesus no oitavo dia de vida, seus pais ofereceram o sacrifício dos pobres, “duas rolinhas ou dois pombinhos” (Lucas 2. 22 – 24).
Jesus exerceu seu ministério a maior parte do tempo à margem. Ganhou a oposição dos poderosos. Acabou sendo morto. Era subversivo e blasfemo.
Ressuscitou para garantir a destruição dessa forma mundana de poder.
Isso me deixa certo que o Deus da revolução não está (nunca poderia) ao lado dos Senhores da Guerra, em especial George W. Bush.
Isso me deixa certo que haverá amanhã. E que amanhã vai ser outro dia ...
APESAR DE VOCÊ
(Chico Buarque)
Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão
A minha gente hoje anda
Falando de lado
E olhando pro chão, viu
Você que inventou esse estado
E inventou de inventar
Toda a escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar
O perdão
Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Eu pergunto a você
Onde vai se esconder
Da enorme euforia
Como vai proibir
Quando o galo insistir
Em cantar
Água nova brotando
E a gente se amando
Sem parar
Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros, juro
Todo esse amor reprimido
Esse grito contido
Este samba no escuro
Você que inventou a tristeza
Ora, tenha a fineza
De desinventar
Você vai pagar e é dobrado
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar
Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Inda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria
Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença
E eu vou morrer de rir
Que esse dia há de vir
Antes do que você pensa
Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Você vai ter que ver
A manhã renascer
E esbanjar poesia
Como vai se explicar
Vendo o céu clarear
De repente, impunemente
Como vai abafar
Nosso coro a cantar
Na sua frente
Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Você vai se dar mal
Etc. e tal

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