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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Carta do MEC pedindo hino nacional, slogan da campanha e filmagens é prova de improbidade administrativa

Hoje, o Estadão denunciou que o MEC enviou correspondência para as escolas do país pedindo que o hino nacional seja executado com as crianças, que elas sejam filmadas e o slogan da campanha do governo recitado.
Esse episódio me fez lembrar uma situação sobre a qual falamos aqui no blog alguns anos atrás.  Noticiamos em novembro de 2012 que a Justiça Federal havia extinguido um processo contra Lula. O processo era por improbidade administrativa que teria tido lugar em 2004.   O Ministério Público Federal fez a denúncia somente em 2011. Presidentes da República não cometem improbidade administrativa, mas crime de responsabilidade - e não podem mais ser processados por isso após o término do mandato.  O máximo que se pode requerer é o ressarcimento dos cofres públicos quando for o caso.
Lula e Amir Lando, que era ministro da Previdência em 2004, haviam sido processados porque enviaram correspondências a aposentados, pensionistas e beneficiários do INSS informando sobre a novidade dos empréstimos consignados e que o BMG estava habilitado para fazer as operações.  Sobre a devolução dos recursos, aparentemente não há ainda decisões.
O fato é que o envio de carta do MEC a escolas do país inteiro repete o mesmo desvio cometido por Lula e Amir Lando e deve ser reconhecido como crime de responsabilidade contra o presidente da República e improbidade administrativa do ministro Velez Rodrigues.
Também é fato, para mim, que se a escola de minha filha a obrigasse a repetir o slogan de campanha do governo ou a filmasse e enviasse as imagens ao MEC, como pediu a carta, eu a trocaria de escola e  processaria o Complexo EDHC, em Natal.  Mas eu quero deixar claro que sei que isso jamais teria lugar ali naquele espaço pedagógico que sempre tem prezado pelo cuidado com as crianças e pelo diálogo com os pais.

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