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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

A quem serve?

Uma das formas da análise do discurso nos ajuda a encontrar, nas pistas dos enunciados proferidos, as filiações e os discursos que atravessam a fala das pessoas. A análise do discurso entende que não somos autores de discursos, não os produzimos, mas os reproduzimos, somos falados por eles. 
Mais cedo disse aqui que era claro que o jornalista Gustavo Negreiros se alia a um discurso de oposição a tudo o que representa o PT e suas políticas à esquerda. Qualquer analista do discurso, aliás, não teria dificuldade de encontrar esses elementos do discurso que atravessa seu blog.
Acontece que, aparentemente, Negreiros faz dessa posição uma cruzada santa contra políticos específicos do partido no estado: a governadora Fátima Bezerra e, especialmente, o senador Jean-Paul Prates.
Mas sua vítima preferencial é o senador Jean-Paul Prates. Gustavo me lembrou a falta de compostura de Renan Calheiros (MDB) quando atacou, com insinuações sexuais, a jornalista Dora Kramer no twitter neste fim de semana: chamou, em post,  Jean-Paul de exótico que "gosta de charutos e anda com chapéu Panamá". Negreiros diz que isso seria "engraçado se não fosse trágico" e que o senador tem chance de ser o político mais bizarro de nossa história.
O cume desse comentário de Gustavo Negreiros é mais uma fake news. Diz o blogueiro que "hoje, pasmém, ele retirou a assinatura de apoio a CPI da tragédia de Brumadinho por ordem do PT".
De fato, Jean-Paul anunciou a adesão à CPI do Senado para investigar a tragédia de Brumadinho. Mais tarde, o site Antagonista informou que ele tinha pedido a retirada de seu nome da lista, dizendo depois que havia um movimento do PT em barrar a CPI.
No Instagram, respondendo a um seguidor, Jean-Paul afirmou que havia pedido a suspensão de sua assinatura para verificar a possibilidade de instalação de uma CPI Mista, envolvendo também a Câmara dos Deputados, "mas já reconfirmei a assinatura em ambas".

Independente das causas desse último movimento do senador Jean-Paul Prates em Brasília, parece certo que Gustavo Negreiros tem como missão pessoal o ataque diuturno contra o PT e seus representantes. O discurso que atravessa suas postagens é claramente de direita e, particularmente, antipetista.
A quem serve esse discurso? 
Uma das perspectivas de análise do discurso, a crítica, na compreensão de um dos seus principais nomes, Teun van Dijk, diz que uma análise do discurso deveria servir para ajudar a enfrentar as desigualdades, promover o empoderamento das vítimas de exploração, libertar. É uma perspectiva científica enviesada e engajada. 
Quando eu faço análise do discurso procuro seguir esses princípios.  Em tudo o que eu faço, me esforço por isso.
Eu sei a quem serve o meu discurso.  Quando pergunto a quem serve o discurso de direita e antipetista que atravessa o blog de Gustavo Negreiros só sei que não serve ao enfrentamento das desigualdades, ao empoderamento dos explorados, à libertação. 

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