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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Dilma lança Dialoga Brasil para estreitar relacionamento entre governo e sociedade

O governo federal lançou nesta terça-feira, 18, a ferramenta digital Dialoga Brasil, em evento na Funarte, em Brasília, com a presença da presidenta Dilma Rousseff e dos ministros Miguel Rossetto (Secretaria-Geral da Presidência), Tereza Campelo (Desenvolvimento Social), Arthur Chioro (Saúde), José Eduardo Cardozo (Justiça) e Renato Janine (Educação).
A ferramenta é uma espécie de rede social que pretende tornar conhecidos os principais programas do governo federal, mas, principalmente, acatar propostas, críticas e sugestões encaminhadas pela população.
Numa primeira etapa, estão disponíveis 14 programas dos ministérios que participaram do evento de hoje. Até o dia 31 de outubro, quando se encerra a primeira fase, 80 programas de praticamente todos os ministérios estarão abertos à consulta e discussão pública.  Os ministros, pessoalmente, são responsáveis por dar resposta às propostas.  Eles participarão nas próximas semanas de bate-papos com os usuários.  Todas as propostas cabíveis, além disso, serão encaminhadas às conferências setoriais.
Cadastrado no sistema, o usuário pode apresentar sugestões e propostas que, por sua vez, podem ser apoiadas por outros usuários. As propostas que receberem mais apoio serão, necessariamente, encaminhadas aos ministros das áreas.
O ministro Miguel Rossetto afirmou que com o Dialoga Brasil o governo abriu "uma nova forma de dialogar com a sociedade brasileira".  Para ele, até então havia poucas oportunidades para participação cidadã e para a sua compreensão do sentido estratégico das ações de governo.
Durante o evento, pessoas que estavam na plateia puderam fazer sugestões aos programas do governo, respondidos prontamente pelos ministros.
A travesti paraibana, Fernanda Bienvenutti, membro do Conselho Nacional de Segurança Pública, defendeu, por exemplo, o fortalecimento das políticas de enfrentamento da violência contra a comunidade LGBT e a juventude negra da periferia. Em sua resposta, o ministro Cardozo falou da iniciativa de atuação conjunta eletiva nos 81 municípios mais violentos do país - que representam a maior parte dos homicídios e crimes contra a vida registrados no Brasil. Nem Cardozo, nem Dilma depois referiram-se à criminalização da homofobia e ao fim dos autos de resistência, defendidos na campanha eleitoral do ano passado.   O tema foi retomado mais tarde na conversa que os blogueiros mantiveram com o ministro Rossetto depois do encerramento do lançamento.
Na conversa com os blogueiros, o ministro fez uma análise da conjuntura política, apontando os principais desafios políticos e econômicos dos próximos meses para o governo. Além disso, recebeu críticas e sugestões, especialmente sobre a ferramenta Diáloga Brasil.
Breno Altman, por exemplo, editor do Opera Mundi, questionou o motivo de os temas da política econômica, do ajuste fiscal e as bandeiras mais caras dos direitos humanos não inaugurarem o Dialoga Brasil. Rossetto justificou a decisão pela necessidade de uma escolha mais programática e menos conjuntural, mas o ministro defendeu que temas econômicos, como os do ajuste fiscal, sejam incorporados nessa ferramenta de debate público. Após reiteradas intervenções sobre a necessidade de encorpar a discussão política - conforme expressão usada pelo jornalista Altamiro Borges - inclusive nos temas de direitos humanos, Rossetto disse que receberia as sugestões e as discutiria no governo. 
Rossetto entende que é necessário o governo ampliar o diálogo político e com a sociedade. "Quando a gente luta, a coisa é diferente", disse o ministro, para depois citar as lutas, para ele bem sucedidas, envolvendo o PLC 4330 (Terceirizações), Redução da Maioridade Penal e Financiamento Privado Empresarial de campanhas.
Por fim, o ministro reafirmou o compromisso do governo com as pautas de direitos humanos, como o fim dos autos de infração e a criminalização da homofobia. "Possivelmente, no segundo semestre poderemos voltar à discussão desses temas", complementou.

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