Pular para o conteúdo principal

Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Contra o cinismo trágico

O cinismo trágico olha o futuro e diz, sem esperança, que não tem jeito. Olha a política e a demoniza - como se ali não houvesse quem tem real compromisso com o povo, com a mudança. 
Tenho orgulho de admirar muitos políticos que se pautam pela coerência.
Tenho real felicidade de ter a amizade de alguns deles, como Fernando Mineiro e George Câmara.
Mas o que mais me incomoda no cinismo trágico referente à política é sua incapacidade de perceber que a responsabilidade política é de todos nós - não somente dos eleitos e representantes. Políticos somos todos nós. 
Quando esquece isso, o cinismo trágico reafirma seu descompromisso com a vida da cidade, com as causas dos outros, com as lutas por um mundo melhor. Não lhe resta nada, a não ser uma vida e morte ensimesmadas. Um cadáver, um corpo morto, bem representa a imagem. "Vou cuidar da minha vida" e se esquece que tudo que ele/ela deixou de lado se voltará invariavelmente contra si.
Não lhe diz respeito a criança sem escola, a família sem teto, o trabalhador sem terra? Tudo que é capaz é seu grito indignado? O que fará quando tudo isso se converter em violência - dos sujeitos ou do estado - contra si?
A luta não lhe diz respeito? Sempre diz. Porque se não for agora o será quando a arma estiver apontada contra você, como denunciou a cena final do incompreendido Tropa de Elite.
É mais triste, para mim, quando essa postura parte dos que dizem seguir a Cristo, afirmam conhecer o Evangelho do Reino, porque tais mensagens são sempre utópicas palavras de esperança. O desespero do cinismo trágico me diz que tais pessoas não entenderam a mensagem, a esperança nem a utopia.
Quando me entendo como essa parte do todo da política entendo e lamento minha responsabilidade quanto a eleição de Felicianos, Cunhas e Rogerio Marinho. 
É minha responsabilidade porque eu sou parte desse processo político. O que a ideologia mais gostaria é que eu fosse ingênuo, um sujeito assujeitado, incapaz de se importar com isso e, portanto, perceber minha própria responsabilidade e participação nisso.
É o discurso: "Eu sofro as consequências mas não tenho nenhuma responsabilidade nisso". 
Lamentavelmente tenho. Sou parte disso. Espero nunca me esquecer.
Espero que você também perceba.

Comentários

Postagens mais visitadas