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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Sem Terra ocupam ruas e estradas em todo o Brasil

Da Assessoria de Imprensa do MST



Nesta quarta-feira (11), milhares de Sem Terra continuam realizando ações por todo o país.

Em Porto Alegre (RS), cerca de 4 mil camponeses da Via Campesina marcham pelas ruas da capital. A caminhada segue do Monumento do Laçador até o centro de Porto Alegre, onde à tarde estão previstas negociações com o governador do estado, José Ivo Sartori (PMDB) junto a várias secretarias estaduais.

A mobilização reivindica a realização da Reforma Agrária Popular, a garantia da soberania alimentar, o reconhecimento dos direitos dos atingidos por barragens e a criação de políticas públicas para a agricultura camponesa.

Na capital de Alagoas, em Maceió, outros 4 mil trabalhadores e trabalhadoras rurais Sem Terra de todo o estado, organizados no MST, Comissão Pastoral da Terra (CPT), Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST), e Movimento Terra Trabalho E Liberdade (MTL), também estão em marcha.

Segundo os Sem Terra, a mobilização acontece para denunciar o agronegócio, fazer a defesa da Reforma Agrária e exigir condições de vida digna para quem vive no campo, na garantia dos direitos sociais e das infraestruturas produtivas negadas aos camponeses.

Acampados desde a tarde desta terça-feira (10) no prédio da Eletrobrás, os camponeses organizam suas fileiras para percorrerem a Avenida Fernandes Lima, principal avenida da cidade, em direção ao Centro de Maceió.

No Paraná, cerca de 38 organizações e movimentos sociais realizam o fechamento de rodovias estaduais e federais. Dentre as pautas, os trabalhadores exigem maior agilidade na realização da Reforma Agrária com o assentamento das 6 mil famílias acampadas.

Neste momento, no estado paranaense, estão fechadas as rodovias estaduais e federais de Mauá da Serra, Arapongas, Jataizinho, Mandaguari, Campo Mourão, Cascavel, Nova Laranjeiras, e Francisco Beltrão nos trevos de Ampére, Marmeleiro, Itapejara, e entre Dois Vizinhos e Verê.

Também nesta manhã, cerca de 500 famílias camponesas participaram da ação que interditou algumas das principais rodovias no Rio de Janeiro. O trecho na altura de Martins Lage da BR-356, que liga Campos dos Goytacazes à São João da Barra, no Norte Fluminense ficou fechado por cerca de 3 horas.

Na rodovia Washington Luiz, em Duque de Caxias, depois de fechada, militantes do MST entregaram produção agrícola para os motoristas que estavam na estrada. Agricultores também vão para a prefeitura de Macaé, município do estado do Rio de Janeiro, apresentar a pauta de reivindicação.

Em relação às terras, o MST exige a desapropriação de algumas áreas no estado do Rio. Muitas delas já foram declaradas improdutivas, e algumas famílias aguardam acampadas há 10 anos, como é o caso do acampamento Madre Cristina, em Campos.

Jornada

As ações se iniciaram com a Jornada Nacional de Lutas das Mulheres Camponesas, e emendou com outra jornada unitária entre os movimentos sociais do campo.

Até o momento, mais de 25 mil Sem Terra participaram das ações em 21 estados brasileiros, com marchas, ocupações e trancamento de rodovias. As mobilizações aconteceram em RS, MA, PR, SP, RJ, MG, BA, DF, PB, GO, AL, SE, MT, TO, RN, CE, ES, PE, PI, PA e MS.

As ações denunciam o modelo do agronegócio no campo brasileiro e propõem a agroecologia como alternativa ao capital estrangeiro na agricultura.

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