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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Operação Sinal Fechado: Segundo MP, assinatura de Robinson Faria foi falsificada

A Operação Sinal Fechado voltou à cena política do Rio Grande do Norte hoje quando o Procurador Geral de Justiça, Rinaldo Reis Lima, anunciou que estava apresentando denúncia contra o presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira de Sousa, por ter recebido R$ 300 mil do esquema de George Olímpio no fim de 2009 e início de 2010.
Falarei a seguir sobre essa denúncia e sobre o fato de que ela confirma duas coisas importantes e de muito impacto: que George Olímpio fez acordo de delação premiada com o Ministério Público e que em seu depoimento ele confirmou ao menos partes dos depoimentos de Alcides Barbosa, dados em 2012, também a título de delação premiada.
O Ministério Público informou que o governador Robinson Faria (PSD) foi investigado a partir do depoimento de George Olímpio.  Segundo o advogado, a maior parte dos R$ 300 mil que foram pagos a Ezequiel Ferreira de Souza se destinavam a Robinson, então presidente da Assembleia Legislativa.  O objetivo era providenciar a aprovação de uma lei autorizativa para que o governo do estado pudesse licitar a inspeção veicular obrigatória. Robinson receberia para articular o trâmite em regime de urgência e sua aprovação.
Diz o MP, então, sobre Robinson que a
suposta adesão do então Presidente da ALERN ao intento criminoso do grupo que criou o Consórcio INSPAR estaria na suposta ascendência política do Chefe da Casa sobre o Colégio de Líderes, órgão interno do Poder Legislativo Estadual que detém a competência para“dispensar exigências e formalidades regimentais para agilizar a tramitação das proposições” (Regimento Interno da Assembleia Legislativa, artigo 86, III).
O MP chegou a ouvir Robinson, assim como José Dias e Getulio Rego - estes, acerca do processo legislativo e das circunstâncias da votação em questão. O grande eixo da acusação seria de que Robinson Faria teria interferido na reunião do colégio de líderes da Assembleia a fim aprovar o trâmite em regime de urgência - para isso, teria sido pago.  A conclusão da investigação é que a presença do presidente da Assembleia não é necessária na reunião do colégio de líderes (o presidente não a preside, não vota nem tem o poder de se opor a um decisão dos líderes).
Ainda assim, a assinatura de Robinson Faria se encontrava no despacho que autorizou o trâmite em regime de urgência da proposta. Será?
Segundo o MP, a assinatura do então presidente da Assembleia Legislativa no documento é falsa:
Outrossim, perícia grafotécnica produzida pelo ITEP/RN atestou que a assinatura constante do despacho de fl. 14 do Processo Legislativo no 2848/09-PL/SL – que incluiu a matéria na pauta da sessão plenária do dia 15 de dezembro de 2009, após deliberação do Colégio de Líderes – não partiu do punho escritor de ROBINSON MESQUITA DE FARIA, tendo esta assinatura sido objeto de uma “falsificação do tipo IMITATIVA” (fls.96/102).
Isso quer dizer que, no despacho que documenta a dispensa de tramitação, de responsabilidade do Presidente da Assembleia, a assinatura ali aposta não é a do vice-governador Robinson Faria, então Presidente da Assembleia Legislativa, sendo possível concluir que o referido parlamentar não participou do ato, e que alguém, sem discriminar a sua posição, assinou a dispensa de tramitação, como se fora o Presidente da Casa. 
Desse modo, a investigação contra o governador Robinson Faria terminou por ser arquivada, já que não foram encontradas evidências de que ele teria recebido ao menos parte do dinheiro que foi destinado a Ezequiel Ferreira de Souza.

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