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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Operação Sinal Fechado: George Olímpio confirma empréstimos de Ximbica e Marcílio Carrilho para propina a José Agripino

Em depoimento, George Olímpio confirma, em parte, o que disse o primeiro delator, Alcides Barbosa. Os dois estiveram no apartamento de José Agripino em Natal para negociar o pagamento de R$ 1 milhão em 2010. Para concretizar o negócio, George deu R$ 200 mil no ato, em dinheiro vivo.  Acertou para a semana seguinte mais R$ 100 mil. O restante foi emprestado por Marcílio Carrilho, presidente municipal do DEM em Natal, (R$ 400 mil) e José Bezerra Júnior, o Ximbica, (R$ 300 mil). Entre outubro e fevereiro, todos os meses, George pagava os juros dos empréstimos através de cheques pré-datados de suas contas no Banco do Brasil e HSBC.   O valor era de R$ 25 mil, sendo R$ 16 mil a Marcílio e R$ 9 mil a Ximbica.  
Se os cheques aparecerem nos extratos das contas de George trata-se do prego final no Caixão do senador - uma prova material incontestável do que relata George Olímpio.
O vídeo e o texto a seguir foram publicados pelo G1.




Em depoimento ao Ministério Público do Rio Grande do Norte, o advogado George Olímpio afirmou que o senador José Agripino (DEM) pediu R$ 1 milhão para a campanha política de 2010, doação suspeita que teria sido paga com ajuda de um agiota. George Olímpio firmou acordo de delação premiada com o MP e prestou depoimento em agosto de 2014 - quando revelou detalhes de um suposto esquema de corrupção envolvendo o Departamento de Trânsito do RN.

De acordo com o depoimento, em setembro de 2010, George Olímpio diz ter recebido do ex-deputado João Faustino uma pesquisa interna do Democratas na qual Rosalba Ciarlini aparecia liderando a corrida pelo governo do estado. "Iberê era governador. João Faustino me apresentou uma pesquisa interna com Rosalba na frente e disse que se preocupou com o assunto da inspeção (veicular). Ele disse que era importante falar com José Agripino. De lá mesmo ele ligou pra Zé Agripino e marcou um café da manhã no apartamento de Zé Agripino", relata.

"Chegamos lá, subimos para a parte de cima do apartamento, tem uma piscina, uma área aberta e o escritório dele. Começamos a conversar e ele disse que a informação era que eu tinha dado R$ 5 milhões para a campanha de Iberê. Eu disse a ele que eu não tinha esse dinheiro e estava no meio da construção dos equipamentos e não tinha nem condições de dar esse dinheiro. Eu disse que dei R$ 1 milhão a Iberê, e ele perguntou como eu poderia participar da campanha deles", afirma o advogado.

A partir daí, de acordo com o depoimento, inicia-se uma negociação na qual George Olímpio afirma que poderia dar R$ 200 mil ao senador. "Eu também não queria perder aquele elo, porque pra mim aquilo foi um aviso muito claro: ou você participa da nossa campanha ou você perde a inspeção. Foi uma forma muito sutil, mas uma forma de chantagem. Eu tinha esse dinheiro no cofre do meu escritório. Eu saí de lá, peguei esses duzentos mil e voltei. Eu disse a ele que poderia dar mais R$ 100 mil na próxima semana e ele falou - 'aí vai faltar R$ 700 mil pra você dar a mesma coisa que você deu pra campanha de Iberê", acrescenta Olímpio.

Ainda de acordo com o depoimento do advogado, o senador José Agripino teria dito que já havia ligado para um amigo dele e que essa pessoa iria emprestar R$ 400 mil a George Olímpio para que ele desse o dinheiro. "Eu peguei R$ 400 mil emprestados com Marcílio Carrilho, que hoje é presidente do Democratas municipal de Natal, com cheques meu ou do consórcio, para garantir. Paguei todo mês, a partir de outubro de 2010 a fevereiro de 2011, R$ 16 mil de juros. E ele disse ainda que ligaria para Ximbica (José Bezerra Júnior, ex-suplente de senador) para conseguir os outros R$ 300 mil. No outro dia ele marcou. Eu, ele (José Agripino) e Ximbica nos encontramos e eu peguei o dinheiro a juros também. Acho que era R$ 9 mil por mês de juros", relatou o advogado.
O senador José Agripino Maia (RN), presidente do DEM (Foto: Pedro França/Ag.Senado)José Agripino Maia (DEM) negou as acusações
(Foto: Pedro França/Ag.Senado)


George Olímpio diz também que quando a inspeção veicular foi suspensa e anulada, João Faustino assumiu a dívida com Marcílio Carrilho e Ximbica. "Eu não tinha como pagar essa dívida sem a inspeção rodando", afirmou.

O G1 tentou falar com o empresário Marcílio Carrilho, mas ele não atendeu as ligações. O ex-suplente de senador, José Bezerra Júnior (DEM), o Ximbica, também não foi encontrado.

Em nota, o senador José Agripino afirmou desconhecer "o teor da suposta acusação". "Estaria eu sendo objeto de denúncia de igual teor à que a Procuradoria Geral da República já teria apurado e arquivado? Por que razão estes fatos, que não são novos, estariam sendo retomados neste momento?", questionou.

Ao Fantástico, o senador confirmou que conhece George Olímpio e que o recebeu em casa, mas negou ter pedido qualquer quantia. "Eu nunca pedi nenhum dinheiro, nenhum valor a George Olímpio. E, conforme ele próprio declarou em cartório, não me deu R$ 1 milhão coisíssima nenhuma", afirma Agripino.

Operação Sinal Fechado

A Operação Sinal Fechado apurou fraudes envolvendo o Detran do Rio Grande do Norte e foi deflagrada em 2011. O advogado George Olímpio foi apontado como mentor do esquema que desviava recursos do órgão. Em 2011, 12 pessoas foram presas, dentre elas Olímpio, e 27 foram denunciadas pelo Ministério Público. A Justiça acatou a denúncia.

Em agosto de 2014, o advogado George Olímpio prestou depoimento ao MP, em delação premiada, e trouxe novos fatos às investigações. A delação premiada resultou na denúncia do presidente da Assembleia Legislativa do RN, deputado Ezequiel Ferreira de Souza (PMDB), na última sexta-feira (20). Segundo o MP, o deputado teria recebido R$ 300 mil para agilizar na Assembleia Legislativa a tramitação da lei que implantava a inspeção veicular no estado.

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