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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Assessoria de Dilma emudeceu o Muda Mais. Agora, corre atrás…

muda mais
Por Luiz Carlos Azenha
Quando o site Muda Mais foi emudecido, depois da campanha eleitoral, surgiram protestos. Houve gente que considerou um erro. O fato é que o sítio muito contribuiu para a eleição de Dilma. Trazia textos, comentários, vídeos e dicas que foram amplamente compartilhados pelos eleitores da candidata petista. Os memes do Muda Mais viajaram longe nas redes.
Talvez tenha sido uma questão de custo. Talvez, de avaliação política. De qualquer forma, seria mesmo difícil explicar a escolha de Kátia Abreu aos jovens eleitores da candidata. Pegaria mal ficar insistindo que os cortes que prejudicam direitos dos trabalhadores foram adotados apenas para combater fraudes, uma ideia indecorosa que nem a CUT — sempre uma aliada fiel, mas crítica do governo — engoliu.
Agora, segundo o Estadão, a presidente decidiu turbinar sua presença na mídia, como forma de combater a impopularidade.
O Muda Mais cairia como uma luva. Tinha a leveza que combina com a garotada do Facebook e do what’s app. Ambos representam o futuro da comunicação instantânea.
Já a “mídia técnica” valorizada pela Secretaria de Comunicação da Presidência cheira à naftalina do Jornal Nacional. Ela considera, por exemplo, que um jornal impresso é lido por um determinado número de pessoas e que as pessoas lêem o conteúdo dos jornais, quando muitas vão direto às páginas de Esportes, ou apenas folheiam, ou não passam das manchetes.
Sempre escrevi: modéstia à parte, um texto publicado no Viomundo e compartilhado por duas, três mil pessoas no Facebook tem mais repercussão que qualquer editorial da grande mídia ou qualquer coluna de opinião de um jornalão que não tenha o mesmo número de compartilhamentos. Um texto publicado por múltiplos endereços na blogosfera é dez vezes mais disseminado que qualquer texto da Veja ou de O Globo.
No entanto, os senhores que ainda lêem jornais, que ocupam cargos públicos e que cuidam das verbas publicitárias demonstram uma ligação umbilical com a palavra impressa que é, literalmente, coisa do século passado. Os últimos gastam milhões de reais dos outros para demonstrar prestígio, exibir poder e paparicar amigos quando poderiam ter o mesmo retorno colocando muito menos em investimento focado nas redes sociais. Isso vale tanto para dinheiro público quanto privado.
Os blogueiros se sentem impedidos de argumentar neste sentido para não parecerem cabotinos ou de olho em dinheiro público. Como o Viomundo não aceita publicidade oficial, sente-se à vontade. A blogosfera é mais que um meio de comunicação. Ela cresceu apesar da hostilidade da mídia corporativa, numa relação de cumplicidade com seus leitores e comentaristas. Essa relação tem um valor não mensurável. Os leitores compartilham conteúdo publicado aqui como se sentissem o dever de fazê-lo chegar ao maior número possível de amigos e conhecidos.
Apesar de ser um site voltado a uma campanha política, o Muda Mais tinha conseguido reproduzir esta “atmosfera”. Cumplicidade não tem preço, nem existe na tabela da “mídia técnica”. Agora, Dilma vai ter de tentar a sorte com a Cantanhêde.

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