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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Ódio de Classe: Um texto de "humor cáustico" e o lamentar das elites

Por Wellington Duarte
No Velho Ranzinza

A blogueira e colunista do enfadonho jornal O Globo, Silvia Pilz, é uma ilustre desconhecida para a esmagadora maioria dos cidadãos brasileiros. Não representa nada, nunca participou de nada, enfim é um grande “nada”. Tem uma coluna, que deve ser vista por meia dúzia de pessoas “do meio”, que leva o nome de “zona de desconforto”.
Mas, como todo candidato a “nada”, tem que ter seu dia de “tudo”, a dita colunista levantou-se um dia desses perdidos, olhou para o espelho e se viu como um ser inefável, capaz de sacudir seus leitores com um texto de humor “cáustico”, mordaz, que choca. E veio a pérola, publicada no seu blog, com o título de “o plano cobre” (http://oglobo.globo.com/blogs/silvia-pilz/posts/2015/01/13/o-plano-cobre-558602.asp) que, segundo a blogueira foi feito para “divertir” as pessoas.
O texto exala a mais fétida provocação preconceituosa sobre uma camada de pessoas que formam a sociedade, como jamais li. Os que foram em defesa da blogueira, afirmaram que se vive num “mundo chato” e que ninguém mais pode ter um humor ácido, que logo vem a ladainha dos “politicamente corretos”. Outros afirmaram que o “jumentos” não entenderam a sagacidade da autora, pois a mesma estava fazendo uma crítica ao sistema de saúde.
Silvia Pilz e o "horror à pobre": ódio de classe disfarçado de "humor cáustico"


Essa carioca, jornalista de quase 44 anos, nos presenteou com uma verdade e por isso devemos agradecer. Revelou o mais profundo ódio de classe que se pode ter dentro de um ser humano, e de como esse ódio pode ser expresso via “humor cáustico”. Mas ela não é nenhuma celebridade e nem representa nada. Apenas surtou e num arroubo de pedantismo próprio dos que se embriagam com o cheiro dos perfumes dos ricos, expôs sua verve contra os tais “pobres”. O verdadeiro ódio de classe está cada vez mais nítido e se revela nas redes sociais sem pruridos e nem meias palavras.
A versão de que o texto foi “irônico”, só revela que o surto durou pouco tempo e as reações nas redes sociais foram tão negativas, que a citada blogueira veio com uma desculpa esfarrapada da "não explicação" do seu ato, por ser parte de um “humor cáustico”. Não poderia pedir desculpas, pois estaria admitindo sua culpa e nem poderia assumir a culpa, pois seria mais criticada ainda. Preferiu o caminho dos grandes produtores do “nada”. Fez de conta que nada fez.
Essa senhora não tem importância nenhuma nas nossas vidas e nem na nossa dura realidade, mas em tempos de crise civilizatória, textos como esses servem para alimentar, nas elites, o pavor à ascensão de camadas da população que eram alvo de piadas nos “bons tempos” e hoje, para horror de muitos, não aceitam mais ser motivo de gargalhadas dos que se acham superiores, mesmo que com todo arsenal de hipocrisia de que dispõem.
Se irritar com a “chatice” do mundo porque não devemos mais tolerar alimentar o preconceito com as piadinhas do passado, é uma demonstração de que estamos ainda longe de querer aceitar que as pessoas não podem vivem em estratos sociais imóveis. Não vivemos num sistema de castas e é correto que nem o negro e nem o pobre aceitem mais ser motivo de riso.
Sem mais.

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