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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Apóie "Auri, a anfitriã" no Catarse e participe da publicação da obra

http://revistaberro.com/reportagem/campanha-busca-financiamento-para-o-livro-auri-a-anfitria/

Livro-reportagem “Auri, a anfitriã” angaria recursos para publicação através de financiamento coletivo na plataforma Catarse

(Fotos: Daniel Muskito)

​​O livro-reportagem “Auri, a anfitriã: memórias do Instituto Penal Feminino Desembargadora Auri Moura Costa” é o mais novo projeto a angariar recursos através da plataforma de financiamento coletivo Catarse. A campanha visa o financiamento de 500 exemplares da obra e seu posterior lançamento. Todos os financiadores serão recompensados com um exemplar do livro, seja na versão digital ou impressa. Além disso, terão seus nomes presentes nos agradecimentos. Os valores das contribuição variam entre 15 a 50 reais.

“Auri, a anfitriã” é fruto do Trabalho de Conclusão de Curso das jornalistas Aline Moura e Bárbara Almeida, ex-alunas do curso de Comunicação Social/Jornalismo da Universidade Federal do Ceará. A obra conta com projeto gráfico e diagramação do design Ed Borges e fotografias de Daniel Muskito, que fez ensaio fotográfico na única penitenciária feminina do Ceará, especialmente para o livro.

AURI

Com a proposta de mesclar literatura e jornalismo, o livro narra as histórias de quatro internas do Instituto Penal Feminino (IPF). O aspecto mais ousada da obra, no entanto, é trazer uma narrativa em primeira pessoa, tendo a única instituição penal feminina do Ceará como personagem-narradora. A “Auri” – como é chamada a “anfitriã” dos leitores e das personagens – ganha vida para narrar as histórias contadas por suas internas.

Durante toda a leitura, a narradora imprime suas marcas emocionais e subjetivas. Na linguagem, substitui termos estereotipados sobre os indivíduos em privação de liberdade por formas mais íntimas de se referir às internas. Com vocabulário próprio, usa termos que, simbolicamente, demonstram a visão que ela tem sobre as coisas, como, por exemplo, “minhas hóspedes”, “meus cômodos”, “meus domínios”, “mundo exterior”, “leis dos homens”.

Além de documentos oficiais, as principais fontes da “Auri” são suas “protegidas”. Ela imerge nas versões contadas pelas internas do IPF. Com isso, o que se traz à tona não são mais julgamentos para as mulheres já condenadas, mas os caminhos percorridos até o cárcere, a experiência carcerária e o retorno para a sociedade, a partir da perspectiva das personagens.

Auri

Com engenhosidade, as autoras exploram os aspectos fantásticos próprios da memória humana, principalmente durante o confinamento. A própria narradora deixa claro aos leitores que não controla o quão real ou fantasioso possam ser as memórias das internas. O que se reconhece é que, no ambiente do cárcere, a fantasia é uma constância psíquica. O mundo real está misturado ao ideal, mas “Auri” sabe que não pode dar conta das mentes de suas hóspedes.

Entre outras influências, o livro Vigiar e Punir, do filósofo francês Michel Foucault, guia a reflexão sobre a eficiência do sistema penitenciário e de toda a complexa engrenagem alimentada pela Justiça Brasileira. Os conceitos de Foucault funcionam como uma lente para ampliarmos nossa visão sobre o sistema penal. A partir deles, Auri percebe que um livro sobre uma penitenciária vai muito além da rotina que ali se encontra, assim como falar sobre mulheres no cárcere vai muito além dos crimes em que estão envolvidas.

Prêmios

Em 2014, a obra foi agraciada com cinco prêmios: melhor Livro-reportagem no Expocom Nordeste, melhor Edição de Livro no Expocom Nordeste, melhor Livro-reportagem no Expocom Nacional, melhor Edição de Livro no Expocom Nacional e melhor Trabalho de Conclusão de Curso no prêmio de Gandhi de Comunicação.

O prêmio Expocom (Exposição de Pesquisa Experimental em Comunicação) é realizado durante o Congresso de Ciências da Comunicação da Intercom (Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação) e premia os melhores trabalhos experimentais do Brasil. O Prêmio Gandhi de Comunicação é uma iniciativa da Agência da Boa Notícia e destaca os trabalhos que mais contribuem para a Cultura de Paz.

Auri no Catarse

Auri, a anfitriã: memórias do Instituto Penal Feminino Desembargadora Auri Moura Costa”.
Catarse: http://catarse.me/pt/auriaanfitria
Facebook: https://www.facebook.com/auriaanfitria

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