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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Para nós que vivemos na tal cidade de Lamatown



Não sou um bom autor de resenhas. Especialmente de peças. Mas preciso escrever sobre minhas impressões de “Lamatown – Quando a lama virou mar”, um dos espetáculos em exibição nos palcos do Natal em Natal.

O texto de Clotilde Tavares e a direção de Henrique Fontes me deixaram profundamente impactado pela crítica nem tão sutil à sociedade da capital potiguar - uma cidade em que "ninguém se dá muito mal", como já dizia Pedrinho Mendes.

Corrupção, condescendência social, pancada na cultura de eventos como Carnatal. Crítica intensa aos nossos governantes - o que se torna mais surpreendente uma vez que o espetáculo, realizado pela Casa da Ribeira, foi contemplado pelo edital Natal em Cena, da prefeitura de Lamatown, digo, Natal.

Lamatown é uma cidade que se organiza social e economicamente em torno da lama. Todos ganham com a Lama, inclusive a presidenta do sindicato das lavadeiras. Aliás, o sindicato das lavadeiras faz lembrar, invariavelmente, alguns sindicatos da cidade, como o dos motoristas de ônibus - inclusive nas negociações para o fim de greves.

E o fim, apoteótico, nos leva para dentro da Arena das Dunas nos dias de Carnatal, "na tal cidade de Lamatown".

Porque o poder não morre. Ele se muda.

Imperdível.

Ainda estou absorto e embasbacado com o que vi, na noite de estreia que foi atrapalhada um tanto pela chuva. Nada mais lógico que a chuva atrapalhasse a lama.



O espetáculo “Lamatown – Quando a lama virou mar” será apresentado hoje na Árvore de Mirassol às 19h. No próximo fim de semana (dias 11, 12 e 13) no estacionamento do ginásio Nélio Dias, também às 19h, e na Praça Matriz da Cidade da Esperança (18, 19 e 20, às 20h).

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