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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Mais uma vítima de assédio moral na Petrobras: dessa vez, na Regap em Betim (MG)



Assédio moral no trabalho é um assunto perturbador.  Este blog, no que se refere à assédio na Petrobras, já contou a história de Hélio (aqui e aqui, por exemplo) e de Florentino (aqui).  Em apenas uma gerência que existia em Mossoró e abrigava um apadrinhado político do deputado federal Henrique Alves (PMDB), a empresa perdeu milhões em indenizações.
Desde outubro fui apresentado a uma outra história de assédio moral na Petrobras.  Desta vez, na Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim (MG).
Rafael Queiroz é técnico em operação.  Segundo os relatos que chegaram ao blog, pequenas perseguições começaram há muito tempo, mas elas foram se agravando com o tempo e tudo estourou há cerca de um ano quando Rafael e outros colegas do grupo apresentaram na ouvidoria da Regap uma denúncia de assédio moral contra seu supervisor.
O supervisor teria sido afastado da supervisão do grupo, mas continuado a receber como supervisor em acordo com a gerência.  O acordo teria sido feito porque o tal supervisor teria adquirido uma dívida com uma casa de campo e precisava do acréscimo no pagamento para quitá-la. Além disso, recebeu aumento de nível por mérito – mesmo tendo sido afastado da supervisão por uma demanda na ouvidoria da Refinaria.
Os trabalhadores deste setor, a Unidade de Hidrotratamento de Diesel (HDT), têm questionado a redução do número mínimo de operadores nos grupos de turno. Também tem havido frequentes dobras de turnos de trabalho, inclusive ultrapassando oito dias seguidos por semana. O que, por si, representa sério risco de atividade em área industrial.  A empresa se nega a apresentar o cálculo exigido na NR-20 e justifica redução de pessoal para diminuir dobras e horas-extras
Um dos momentos mais surreais do assédio sofrido por Rafael se deu quando ele doou sangue em favor de uma conhecida: mesmo comunicando no dia anterior que se ausentaria no trabalho, foi chamado em uma sala e informado de que o atestado não seria aceito e que a gerência estava lançando falta. Além disso, foi informado de que estava sendo transferido da HDT, onde ele trabalha desde que ingressou na refinaria há 12 anos, para o setor de Destilação e Hidrotratamento (DH), classificando a transferência como uma "oportunidade".
O resultado de tamanha pressão devido à denúncia inicial contra o supervisor é o abatimento e comprometimento da saúde do trabalhador – sintomas clássico de assédio moral, ou violência simbólica, no local de trabalho


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