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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Dilma 2.0 e a aposta política em um ministério forte

Publicado originalmente em O Potiguar

O novo ministério anunciado pela presidenta Dilma Rousseff (PT) tem sido, desde o início, motivo de disputa. Por exemplo, a escolha de Kátia Abreu para a agricultura colocou em pé de guerra o MST de João Pedro Stédile. Stédile deixou claro que o movimento não deixaria a nova ministra, presidente da ruralista Confederação Nacional da Agricultura, em paz.

Na educação, a escolha de Cid Gomes (PROS) representou uma arriscada jogada política da presidenta por, pelo menos, três razões. Em primeiro lugar, de forma inédita desde que chegou ao Planalto em 2003 o PT não comandará o ministério. Além disso, a aposta política em Cid tem a ver com mobilizar a bancada do seu partido no Parlamento e na escolha por uma maior ênfase nos resultados do ensino médio. Dilma, segundo consta, se impressionou com os resultados alcançados pelo governo do Ceará. Desse modo, desconsiderou as políticas relacionadas a professores e servidores que implementou o governador para que os resultados fossem alcançados. Dito de outro modo: o Ceará sacrificou os profissionais em prol de resultados que, nem sempre, correspondem a uma educação para autonomia, com formação integral, herdeira das ideias de Paulo Freire. Além disso, foi de Cid Gomes uma frase marcante no processo: de que professores trabalham por amor. Não à toa já perdi as contas das greves que as universidades do estado do Ceará protagonizaram nos últimos anos - sem levar em conta o estado preocupante de sua infraestrutura.

O papel jogado pelos Ferreira Gomes em apoio aos governos Lula e Dilma e ao PT é inegável - o que implica necessariamente papel de destaque na formação do novo governo para Cid ou seu irmão Ciro. Isso era perfeitamente esperado. O que não significa que a educação fosse o melhor lugar para abrigar a oligarquia cearense.

E a equipe econômica? Por si só, sinaliza mais ortodoxia. E se tem um ponto dos governos Lula e Dilma do qual não conseguimos nos libertar foi o famigerado tripé macroeconômico. Precisamos avançar para nos libertar disso, especialmente em busca da autonomia e liberdade de não nos submetermos às regras do superávit primário.

Se as primeiras levas de ministros nos trouxeram preocupações, a nova leva indica que Dilma pretende um balanço de governo que contemple as forças diversas que conduziram sua eleição - especialmente devido à pequena margem da vitória, ao crescente conservadorismo do congresso e à virulência da nova oposição de direita que emergiu nas ruas e urnas de outubro.

Para tratar das novas escolhas, me valho das palavras de meu amigo Renato Rovai. Para ele, Dilma, com esse arranjo, montou o ministério mais forte desde o primeiro governo Lula. E há sinalizações claras do desejo de avanços:
Ao optar por Berzoini nas Comunicações, Dilma parece deixar claro que a agenda da regulamentação da mídia será uma de suas prioridades. Se quisesse dar um sinal mais ameno para o setor empresarial da área, tinha outros nomes para o cargo.
Da mesma forma, se quisesse ignorar o MST, a presidenta não chamaria Patrus, que tem posições alinhadas com o movimento para o seu ministério.
As avaliações que dão conta de uma derrota da CUT por talvez não indicar o ministro do Trabalho não se sustentam. Carlos Gabas, novo ministro da Previdência, é um quadro do movimento sindical e tem ótimas relações com a atual direção da Central. E Berzoini nas Comunicações era tudo o que os dirigentes sonhavam no mais belo sonho da campanha. Essa área é considerada por grande parte dos sindicalistas como mais estratégica hoje para a luta dos movimentos que o próprio Ministério do Trabalho.

Rovai também lembra que, além dos já anunciados, a presidenta deve manter, no entanto,"José Eduardo Cardozo, Mercadante e Arthur Chioro em seus cargos e trazer de volta Juca Ferreira e Celso Amorim para os ministérios da Cultura e das Relações Exteriores". Confirmado o retorno de Juca e a ida de Celso Amorim para o Itamarati, o tabuleiro aponta uma potente distribuição de forças para o segundo governo. Algo, como uma aposta, para pavimentar os avanços de que necessitamos como nação e, talvez o mais importante, a garantia do arregimentar de forças para um possível retorno de Lula em 2018.

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