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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Defensores do golpe contra Dilma atacam jornalistas

Na Carta Capital


Manifestantes que foram à avenida Paulista no sábado pedir a deposição da presidenta reeleita Dilma Roussef

No último sábado um grupo de cerca de mil pessoas, segundo estimativas da Polícia Militar, ocupou um quarteirão da avenida paulista para pedir, entre outras bandeiras, a imediata deposição da presidenta reeleita Dilma Rousseff, seja por meio de um impeachment ou por “intervenção militar”. Os jornalistas que estiveram no ato reportagem o que viram, e o que qualquer cidadão pode verificar pelas fotos que foram publicadas. O evento foi composto por centenas de pessoas com adesivos do candidato Aécio Neves e cartazes e faixas contra Dilma, Lula, o PT e pedindo “ajuda” aos militares.

Após cobrirem a manifestação, os jornalistas que lá estiveram estão tendo suas redes sociais particulares vasculhadas pelos militantes insatisfeitos com a cobertura. Fotos e informações pessoais estão sendo usadas para atacá-los, compondo uma teoria da conspiração na qual todos os veículos são “petistas”. Segundo os manifestantes, os jornais Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, a TV Globo, e o programa CQC, da Bandeirantes são, na verdade, veículos “petistas” ou “pró-Dilma”. Veículos que não estiveram no ato, como CartaCapital, também estão tendo seus profissionais intimidados por meio da exposição de suas redes sociais.

O radicalismo dos participantes de tal “movimento” é tamanho que mesmo o ex-deputado federal Xico Graziano, um dos coordenadores da campanha de Aécio Neves na Internet, está sendo qualificado de “petralha” e “comunista” por criticar o pedido de golpe militar que os próprios eleitores de Aécio levaram às ruas.

A bandeira defendida pelos manifestantes da Avenida Paulista não é defendida nem pelo Clube Militar, que reúne ex-oficiais que participaram do regime militar. Em nota, a entidade afirmou: "A maioria decidiu. Não interessa que não seja a nossa opção. É a regra". E completou: "Perder nunca é um fato facilmente aceitável, mas faz parte do jogo e da vida."


O candidato tucano Aécio Neves, durante a campanha, levantou bandeiras deste grupo. Por duas vezes levou aos debates a questão do financiamento do Porto de Mariel –como uma “prova” da conspiração bolivariana-petista-Foro de São Paulo—e usou elementos como o “Godzilla cubano”. Aécio também não se opôs ao pedido de auditoria no resultado das eleições e, mesmo após o pleito, insiste em frases como “O Brasil perdeu o medo do PT”, instigando uma oposição entre o país e o partido.

A Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo divulgaram nesta segunda-feira 3 notas oficiais de repúdio às ameaças sofridas por repórteres que cobriram a manifestação. Segundo as entidades, trata-se de um “atentado à liberdade de expressão”.

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